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Joana uma mulher apoiadora - "Série Homens e Mulheres da Bíblia"


Algum tempo depois Jesus saiu e viajou por cidades e povoados, anunciando a boa notícia do Reino de Deus. Os doze discípulos foram com ele, e também algumas mulheres que haviam sido livradas de espíritos maus e curadas de doenças. (Lc 8:1-2a)

Jesus olhou as mulheres com olhos diferentes; tratou-as com uma ternura até então desconhecida, defendeu sua dignidade, acolheu-as como discípulas; tratou-as como seres humanos com necessidades, falhas e talentos. Ele reconheceu o valor delas. Ninguém as havia tratado assim. As pessoas viam-nas como fonte de impureza ritual. Rompendo tradições e costumes, Jesus se aproximou delas sem temor algum; assentou se à mesa com elas e até deixou que os seus pés fossem tocados por uma prostituta que lhe estava muito grata. Elas foram igualmente livres para conversar, seguir, ser amigas e servir a Jesus; podiam relacionar-se com ele da mesma maneira que os homens se relacionavam. Este foi, por exemplo, o caso de Joana, cuja história é comentada na seqüência.


I – O que a Bíblia diz sobre Joana


Evangelho, segundo Lucas, o segundo mais longo livro do Novo Testamento, é também o que mais destaca o papel e o valor das mulheres. As mulheres têm presença e atuação marcantes em seus escritos. Desde o início do seu evangelho, as mulheres dão o tom. A primeira mulher a surgir, em sua narrativa, é Isabel, que não podia ter filhos (Lc 1:24-25). Entre o povo judeu, havia a crença de que uma mulher sem filhos era inferior às que os tinham.

Assim era vista Isabel, mulher do sacerdote Zacarias. Ela, porém, por obra de Deus, ficou grávida. A sua gravidez foi mantida no mais absoluto segredo. Se contasse que estava grávida, dificilmente acreditariam. Então, ela esperou até que as evidências físicas da gravidez surgissem. Após abordar sobre a mãe do precursor (Lc 1:16-17), Lucas passa a tratar da mãe do Salvador. A narrativa do nascimento de Jesus feita por Lucas é diferente da narrativa feita por Mateus. Enquanto Lucas destaca a pessoa de Maria, Mateus destaca a pessoa de José. Há, ainda, outro detalhe interessante na narrativa de Lucas: "rompendo uma linhagem patriarcal, o anjo Gabriel, mensageiro de Deus, aparece a Maria" (Lc 1:28-30) e não a José, como no evangelho de Mateus (Mt 1,20-21). Para Lucas, Maria foi a primeira a acreditar no Deus da Vida (Lc 1:38,45, 2:19,51). Zacarias, homem idoso e sacerdote, reagiu com dúvidas à anunciação do anjo Gabriel, enquanto Maria, a moça simples de Nazaré, acreditou.

O normal seria um homem idoso, portanto, experiente e sábio, entender a mensagem de Deus com mais sensibilidade e dar-lhe mais credibilidade. Afinal, Zacarias era sacerdote, alguém considerado santo, intermediário entre Deus e o povo. Ele, ao contrário de muitos sacerdotes do seu tempo, exercia o seu ofício de maneira correta e piedosa, sempre atento às exigências divinas, prescritas no Antigo Testamento. No entanto, ao ouvir as alegres novas do anjo Gabriel de que a sua mulher, Isabel, teria um filho, Zacarias não acreditou. Sua incredulidade o levou a pedir um sinal de que a promessa seria cumprida. O sinal dado se ajustou a sua incredulidade: ele ficou mudo, até o filho nascer. Quem, portanto, se revelou mais dócil à mensagem de Deus é Maria, uma leiga, mulher nova, pessoa simples.

Ao retratar a cerimônia de circuncisão e apresentação de Jesus, Lucas destaca outra mulher: uma profetisa, chamada Ana (Lc 2:36a). A descrição desta mulher é marcada por um número incomum de detalhes preciosos. Lucas diz que ela era filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara (Lc 2:36b-37a). A preocupação mais importante do evangelista é enfatizar a extraordinária devoção de Ana, desde que perdera o marido: "esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações" (Lc 2:37b). Lucas não pára por aí. Ele diz, ainda, que Ana "dava graças a Deus pelo envio do Messias e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém" (Lc 2:38).

Após se referir a mulheres que não menciona pelo nome, tais como a viúva de Naim (Lc 7:1-12) e à pecadora que ungiu os pés de Jesus (Lc 7:37), Lucas diz que Jesus era seguido também por mulheres: "e os doze iam com ele, e também algumas mulheres" (Lc 8:1b-2a). Isto é incomum, pois os rabis ou mestres da época de Jesus não permitiam que mulheres os seguissem em suas andanças. Na vida dessas mulheres, milagres foram operados: "haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades" (Lc 8:2b). Quais eram essas mulheres? Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras (Lc 8:2c-3a).

Dentre as mulheres identificadas pelo evangelista, está Joana, que significa “agraciada por Deus”. Lucas volta a citá-la na narrativa da ressurreição de Jesus (Lc 24:10). O nome do seu marido era Cuza, nome de origem incerta, que significa “vidente”. O fato de ele ser procurador de Herodes indica que se tratava de um homem que ocupava uma posição de destaque no governo de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia (Lc 3:1) e assassino de João Batista (Lc 3:19). De acordo com a NTLH, "Cuza era alto funcionário do governo de Herodes. Há até quem diga que Cuza pode ter sido o oficial cujo filho Jesus curou de uma grave febre" (Jo 4:46).

Não se diz muita coisa sobre Joana, mas, mesmo assim, é notável a nobreza do caráter dessa mulher, como veremos daqui por diante.


1) Joana era uma mulher agraciada:


Lucas nos informa que as mulheres que acompanhavam Jesus haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades (Lc 8:2a). Joana era uma das mulheres que havia sido fisicamente curada ou espiritualmente liberta pelo poder de Jesus. Ela vivia uma situação bastante angustiante, mas, em Jesus, encontrou perdão para os seus pecados, purificação para as suas injustiças, esponja para o seu passado, alívio para a sua dor, provisões para a sua ansiedade, consolo para as suas lágrimas, luz para o seu caminho, vida eterna para o seu presente e o seu futuro. Desde que se voltou para Jesus, Joana nunca mais foi a mesma. Ela foi grandemente agraciada e abençoada por Jesus.


2) Joana era uma mulher agradecida:


Joana tomou parte no ministério itinerante de Jesus, que, de cidade a cidade, anunciava, com autoridade e sabedoria, o gracioso reinando de Deus, que traz salvação a homens e mulheres perdidos. É bom que se diga que ela não o seguia e não o apoiava porque tivesse sido particularmente convidada ou especialmente designada por Jesus. Ela também não o seguia por interesse político ou material. O que a levou a seguir e apoiar Jesus nessa missão? Gratidão. Na vida de Joana, as boas novas do reino de Deus tornaram-se realidade libertadora e abençoadora. A graça de Jesus mudou o rumo da vida daquela mulher para sempre! Por causa disso, ela tornou-se uma constante seguidora do Libertador.


3) Joana era uma mulher generosa:


"Jesus sendo rico, se fez pobre" (II Co 8:9), "ao ponto de não ter onde reclinar a cabeça" (Mt 8:20; Lc 9:58). Sendo assim, o seu ministério era totalmente dependente da generosidade dos outros. Sabe-se que o grupo apostólico tinha uma bolsa em comum (Jo 12:6, 13:29), da qual tiravam dinheiro não somente para custear o alimento, mas, também, para auxiliar os carentes. Contudo, os outros evangelhos não informam como era enchida. Aqui, no evangelho de Lucas, sabemos que grande parte das doações vinha das mulheres que seguiam Jesus, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens. Joana era dessas mulheres que, de maneira generosa, usava os seus próprios recursos terrenos para sustentar o ministério de Jesus.


4) Joana era uma mulher corajosa:


Ainda no território Galileu, Joana ouvira Jesus dizer, várias vezes, que, em Jerusalém ele seria denunciado, capturado, julgado, condenado e crucificado (Lc 5:35, 9:22, 43-45, 12:50, 13:32-33, 17:25). Joana, porém, continuou seguindo Jesus, até o fim! A fúria dos judeus não a deixou amedrontada. Ela viu Jesus, na cruz, se retorcendo em dor e presenciou a vida se esvaindo de seu corpo (Lc 23:49). Ela – e não os discípulos homens – seguiu e observou José de Arimatéia e Nicodemos prepararem e sepultarem o corpo de Jesus (Lc 23:55). A seguir, ela voltou a Jerusalém para preparar especiarias e perfumes para o corpo do Mestre (Lc 23:55-56).


5) Joana era uma mulher obediente:


Jesus fora rejeitado e crucificado, mas lhe é dado um enterro honrado, graças à iniciativa e à bondade de um membro do próprio Sinédrio, chamado José de Arimatéia. Joana foi uma das mulheres que assistiram a este piedoso homem depositar o corpo de Jesus num túmulo aberto em rocha, onde ainda ninguém havia sido sepultado (Lc 23:53). Depois disso, Joana e as outras foram para casa com o objetivo de preparar as especiarias e os ungüentos. Logo a seguir, Lucas frisa: "e, no sábado, descansaram, segundo o mandamento" (Lc 23:5).


6) Joana era uma mulher ensinável:


Antes de partir da Galiléia, Jesus falou abertamente acerca de sua crucificação e sua ressurreição. Os seres angelicais fizeram alusão a este ensino para convencer Joana e as outras acerca da realidade da ressurreição de Jesus (Lc 24:6-7). Então, se lembraram das suas palavras (Lc 24:8). Joana absorveu e guardou, em sua memória, as palavras do amado Mestre e Senhor Jesus, que prediziam a ressurreição dele. Ela não era uma ouvinte displicente e descuidada, nem como aquelas mulheres instáveis da igreja de Éfeso, "que estão sempre tentando aprender, mas nunca chegam a conhecer a verdade" (II Tm 3:7). Joana e as demais rapidamente entenderam que o corpo de Jesus não havia sido removido, mas ressuscitado! Joana, que constatou, pessoalmente, a crucificação e o sepultamento de Jesus, presenciou, também, a realidade da sua ressurreição.


7) Joana era uma mulher crédula:


Quando os dois seres angelicais afirmaram: "ele [Jesus] não está aqui, mas ressuscitou" (Lc 24:6a), Joana e as demais do grupo não somente entenderam aquelas palavras, mas também acreditaram plenamente nelas. Elas, então, foram ao lugar onde os onze e os demais discípulos estavam, para anunciar-lhes a incrível realidade da ressurreição de Jesus. Mas a história narrada pelas mulheres foi recebida por eles como fantasia: "tais palavras lhes pareciam um como delírio" (Lc 24:11 a). O termo grego “leros”, traduzido por “delírio”, significa, literalmente, “tolices”. A seguir, Lucas destaca: "e não acreditaram nelas" (Lc 24:11 b). Vale dizer que, “como as mulheres, os apóstolos tinham ouvido as profecias dos lábios de Jesus, mas eles estão completamente céticos. Eles se recusam a acreditar.” [ARR INGTON, L. French e STRONSTAD, Roger (Editores). Comentário Bíblico Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 474.]

E assim termina a história de Joana. Nada mais é dito sobre ela. Não há menção dela nas cartas de Paulo, Tiago, João, Judas, Pedro. Uma coisa, porém, ficou clara: a devoção de Joana pelo Senhor fica evidente pelo serviço constante que dedicou a ele. Cuidou de Jesus, até mesmo depois da morte. A essa altura, devemos nos perguntar: por que Joana resistiu ao escândalo da cruz? Por que ficou perto de Jesus, mesmo quando tudo parecia acabado e, inclusive, seus discípulos mais íntimos o haviam abandonado? A resposta contém quatro letras: amor.

Joana amava a Jesus de todo o seu coração, de toda a sua força e de todo o seu entendimento. Ela, porém, o amava porque ele a amou primeiro. Joana foi, sem dúvida, uma mulher extraordinária e perseverante em sua assistência ao seu Senhor. Sendo assim, quando Cristo Jesus, o nosso grande Deus, retornar, de maneira visível, pessoal e gloriosa para aqueles que o aguardam para a salvação, a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis (I Co 15 :52b). Joana também ressuscitará incorruptível; será uma das milhares de pessoas que ouvirão dos lábios de Jesus:"vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25:34).

Enfim, Joana, certamente, estará entre aqueles que "subirão, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares" (I Ts 4:17 ), e, assim, ela também estará para sempre com o Senhor.


II – Lições da vida de Joana



1. As mulheres que apóiam a causa de Cristo desejam ser tratadas com santidade.


Joana deve ter ficado muito feliz, quando notou que Jesus aceitava com ternura a presença de mulheres solteiras e casadas nas suas caminhadas missionárias (Lc 8:1b-2a). Para Joana, aquela atitude era inédita, pois os rabinos aceitavam as contribuições financeiras femininas (Lc 20:47 ), mas não a sua companhia, porque não podiam conter seus desejos e olhares impuros sobre elas (Mt 5:28). O jeito de Jesus lidar com as mulheres, porém, era diferente. Ele as tratava como pessoas, não objetos de desejo. Sabe-se que, em grande parte das igrejas locais, as mulheres são maioria. Sendo assim, não é possível evitar a sua companhia, nem é bíblico proibir a sua colaboração no serviço cristão. O que fazer? Como tratar essas mulheres que apóiam a causa de Cristo? Há uma orientação bíblica a esse respeito: "Trate (...) as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza" (I Tm 5:1a-2, NTLH).


2. As mulheres que apóiam a causa de Cristo desejam ser tratadas com dignidade.


Joana viveu numa época em que mulher era vista como alguém incapaz de aprender, de assimilar, de debater verdades espirituais. Os homens iam às sinagogas para aprender, mas as mulheres para ouvir apenas. Os rabinos diziam que era melhor queimar os livros da lei que permitir que uma mulher os lesse. Diante disso, foi grande a admiração de Joana pelo Mestre dos mestres, quando notou que ele admitia que as mulheres eram não somente capazes de aprender e entender, mas, também, de participar de debates bíblicos (Mt 15 :21-28; Mc 14 :3-9; Lc 10:38-42; Jo 4:7-12, 11 :20-33). Ela deve ter se sentido profundamente respeitada e dignificada, quando Jesus se dispôs a ensinar-lhe acerca de sua crucificação e sua ressurreição (Lc 24:6-8). As mulheres que apóiam a causa de Cristo desejam ser tratadas com dignidade. Não podemos pensar que todas as mulheres da igreja de Cristo são como as da igreja de Éfeso: "mulheres que estão sempre tentando aprender, mas nunca chegam a conhecer a verdade" (II Tm 3:7). Há muitas que são capazes, não somente de ouvir e aprender, mas também de ensinar a verdade da palavra de Deus.


3. As mulheres que apóiam a causa de Cristo desejam ser tratadas com confiança.


Tente imaginar o quanto Joana se sentiu valorizada, ao receber dos seres angelicais a missão de comunicar aos discípulos a extraordinária mensagem da ressurreição de Jesus. Joana vivia num mundo onde ninguém dava credito às palavras de uma mulher. Ela sabia que, nos tribunais, a palavra feminina tinha o mesmo valor da palavra de um escravo gentio, ou seja, quase nenhum. O mundo não acreditava na capacidade da mulher, mas Jesus acreditou (Mc 16 :14 ; Lc 24:22-26). No dia de Pentecostes, não foram somente os homens que ficaram cheios do Espírito Santo, mas também as mulheres (At 1:13-14 ) presentes no cenáculo participaram, igualmente, daquela experiência de revestimento para a proclamação. Talvez Joana tenha sido uma delas. O Espírito Santo, sobre quem Jesus tanto falou, em seus últimos ensinos, não recriminou nem desprezou as mulheres! Ele capacitou (Rm 16 :1, 3-5a,6,12-13) e capacita mulheres para levarem o evangelho salvador e poderoso do Senhor Jesus aos perdidos.


Concluindo


Não temos, nos evangelhos, nenhuma mulher opondo-se a Jesus. As mulheres aparecem para apoiar e ajudar o ministério de Jesus. Este é, como vimos anteriormente, o caso de Joana, que foi tratada por Jesus de modo gentil, limpo e digno. O mesmo Jesus de Joana continua buscando tais amizades com milhares de corações femininos. Ele continua esperando a cooperação perseverante e a assistência espontânea das mulheres no ministério da sua Igreja, que se pareçam com Joana, em caráter, ou seja, que sejam agradecidas, generosas, obedientes, ensináveis, corajosas, crédulas. A história de Joana não está registrada no evangelho apenas para ser estudada e admirada, mas, também, para ser imitada.




Fonte:
Genilson Soares da Silva
Adaptado por PCamaral para ilustrar a série "Homens de Mulheres da Bíblia - O exemplo dado por eles"

2 comentários:

  1. Olá amigo PCAmaral,

    Excelente texto sobre Joana, da Bíblia.
    Parabéns. Vim ver, já que me convidou.
    Grata por compartilhar.
    Saudações Cristãs e a Paz do Senhor!
    Carinhoso e fraternao abraço,
    Lilian

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  2. Mensagem maravilhosa e esclarecedora,graças a Deus pelo privilégio de termos o evangélho de Jesus Cristo em nossas mãos e de não sermos tolidas por ninguém para propagarmos,onde estivermos sejamos Joana, a tempo e fora de tempo,que Deus encontre qualidades de Joana em mim, e que esteja sempre pronta para seguir na caravana do mestre sem me opor ao seu mandado.Luciula

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