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Confissões de uma (ex) esposa de pastor

Ele disse um dia: em primeiro lugar está meu ministério.

Senti-me traída, a mais traída das mulheres. Posso até “competir” com outra mulher, outros lábios, outro corpo, outros abraços, outros beijos e ganhar (ou perder) a batalha. Mas com o “ministério” é demais pra mim. Foi pior que vê-lo na cama com outra.

Claro que se ele dissesse "Deus está em primeiro lugar na minha vida" eu aplaudiria e ficaria feliz, mas ministério não é Deus, e esse é o problema de muitos líderes, que confundem trabalho, atividade, serviço, com relacionamento com Deus. Lastimável!

Aos poucos, ele foi demonstrando essa preferência. Eu não estava mais na sua listinha de prioridades, nem eu, nem os filhos. Somente o ministério importava, por ele daria a vida, era algo quase insano, doentio. “Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua família?”

De forma progressiva, suas atitudes foram se tornando agressivas e incoerentes, pois como alguém que viajava pelo mundo falando do amor de Deus não conseguia de fato amar sua própria família? Primeiramente, vieram agressões verbais, depois as físicas, a mim e aos filhos. Nada que questionasse ou desvalidasse seu ministério poderia ser refutado ou contrariado. Ele reagiria com unhas e dentes. A família não importava mais, somente seu belo e frutífero ministério.

E assim segui... fingindo por 18 anos para todos e pra mim mesma que tudo isso era normal, e que para não envergonhar o ministério (dele), eu deveria aceitar calada a situação.

Ah! Mas como Deus me ama... Me ama tanto que foi ele mesmo que disse: “Filha: chega disso!”

Foi então que liberei o tão dedicado pastor e missionário de seu jugo de ter uma família. Agora ele deve estar feliz sozinho “servindo ao Senhor”.

Seguimos eu e meus filhos rumo ao centro da vontade de Deus, que é perfeita e agradável. Um Deus que ama e que não deixa seus filhos sofrerem além do que podem suportar.

Sim, eu fui traída. Sim, ele cometeu adultério. Adulterou com o próprio ministério, em nome de Deus, destruindo a própria família. Eu já o perdoei, mas acho que nunca vou entender...

por motivos óbvios, a identidade da autora do texto será mantida em sigilo.

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Fonte: Vi primeiro no Hermes Fernandes - Post no PavaBlog - Divulgado no PC@maral

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