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A Imutabilidade de Deus


Talvez você não lembre do artigo anterior sobre a Independência de Deus. Foi dito que Deus não precisa da criação para existir, pois é um ser auto-existente e auto-suficiente. Ele, porém, pode ser glorificado e alegrado pelas suas criaturas. Neste artigo, vamos analisar a imutabilidade divina, que implica no fato de que Deus é sempre o mesmo em relação as suas perfeições, promessas e propósitos.

Nem todos, porém, concordam que Deus seja imutável em seus propósitos e promessas. Existe uma corrente teológica liberal, chamada teologia do processo, que defende o conceito de que Deus desenvolve, se aperfeiçoa e se transforma gradativamente, por causa de sua ligação e sua relação com a realidade humana. Esta visão de que Deus muda, devido as suas múltiplas relações conosco, está, obviamente, equivocada. O Senhor, de fato, está cercado de mudanças, nas relações das pessoas com Ele, mas não há nenhuma mudança em suas perfeições, seus propósitos e suas promessas. A imutabilidade de Deus é afirmada explicitamente nas Escrituras Sagradas.

“Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.” (Malaquias 3:6)

I – O que a Bíblia fala sobre a Imutabilidade de Deus:

Por volta do ano de 540 AC, nascia em Éfeso, Heráclito, aquele que, mais tarde, seria um dos mais polêmicos e influentes pensadores. Sua obra se perdeu, mas muitas de suas frases foram conservadas. De todas, a mais citada e ouvida é: “Tudo flui e nada permanece; tudo se afasta e nada fica parado. Você não consegue se banhar duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras sempre vão fluindo”. Por causa dessa afirmação, Heráclito é chamado de “filósofo da mudança”. Para ele, tudo o que é fixo é ilusão, pois, na natureza, as coisas estão em constante mutabilidade, movimentação e transformação.

Antes de Heráclito, o salmista também declarou que a natureza está em constante processo de alteração: “(...) os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão (...); todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados” (Sl 102:25-26). Outros textos sobre a mutabilidade deste mundo são: Is 34:4, 51:6; I Co 7:31; II Co 4:18; II PE 3:10; AP 21:1. A Bíblia, porém, não se refere somente à mutabilidade da criação de Deus, mas também à imutabilidade do Deus da criação. Após mostrar que a criação é mutável, o mesmo salmista afirmou que o Criador é imutável: “Tu, porém, és sempre o mesmo” (Sl 102:27a).

O Deus da criação, portanto, não está sujeito a mudanças ou a alterações. Neste aspecto, ele também se distingue da sua criação, A mutabilidade não é um atributo do Criador. Ele mesmo afirma: “Eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3:6). Tiago, o irmão do Senhor, de igual modo, ensinou que Deus não muda nunca. Ele disse que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1:17). O Deus a quem servimos e amamos “é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas” [GRUDEM, W. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2000, p.111].

Pode ser que a nossa mente tenha dificuldade para compreender a imutabilidade de Deus. Afinal, somos seres mutáveis. De mudanças, a geração do presente século entende. Nunca se viveu um tempo de tão variadas, tão velozes e tão radicais mudanças. Elas ocorrem em todos os campos da sociedade humana. Em nosso mundo, não existe nada permanente, exceto a mudança. Logo, quando se fala em mutabilidade, compreendemos imediatamente. Faz parte da nossa realidade. Mas o mesmo não ocorre quando o assunto é imutabilidade.

A Bíblia diz que Deus é imutável em suas perfeições:

Sendo assim, não pode envelhecer; não ganha novos atributos, nem os perde; não fica mais sábio, pois já conhece todas as coisas (Is 40:13-14); também não fica mais forte, pois é onipotente e infinitamente poderoso. Ele não pode melhorar, pois já é perfeito. Sendo perfeito, não pode mudar para pior. Nele, não há progresso, nem retrocesso. Embora tudo mais esteja em estado de constante mudança Deus permanece o mesmo para sempre. Ele mesmo disse a Moisés, no Monte Horebe: “EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros” (Ex 3:14).

A Bíblia diz que Deus é imutável em suas promessas:

Às vezes, fazemos promessas que não podemos cumprir. Circunstâncias e acontecimentos imprevistos tornam nossas palavras sem valor. Não é assim com Deus: “seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40:8). Para ele, não existem imprevistos ou surpresas. O Senhor nunca precisa reavaliar ou revisar as suas promessas; nunca precisou reorganizar a sua agenda: “Quando foi que Deus prometeu e não cumpriu? Ele diz que faz e faz mesmo” (Nm 23:19b – NTLH).

A Bíblia diz que Deus é imutável em seus propósitos:

O que Deus planeja e resolve realizar acontece com precisão: “Deus faz o que quer; quando ele decide fazer alguma coisa, ninguém pode impedir” (Jó 23:13 – NTLH). O profeta Isaías, referindo-se à inabalável resolução divina de demolir o poderoso e ameaçador Império Assírio, registra o seguinte: “Vou fazer o que resolvi; vou realizar o meu plano. Vou acabar com os assírios que estão na minha terra de Israel” (Is 14:24-25 – NTLH). Mais à frente, o mesmo Isaías reconhece que ninguém poderia impedir que Deus concretizasse esse propósito (Is 14:27).

Mas Deus, às vezes, não muda de decisão? Sim, há alguns textos, nas Escrituras Sagradas, sobre o fato de Deus ter se arrependido de uma decisão e mudado de opinião (Gn 6:6-7; Ex 32:14; I Sm 15:11; I Cr 21:15; AM 7:6; Jn 3:10; Jr 18:7-8; Jl 12:13). Do ponto de vista humano (que é limitado), a única conclusão a que se chega é a de que os propósitos e as perfeições divinos mudam. Mas essa é uma conclusão equivocada! Precisamos entender a palavra “arrependimento”, como está escrita no hebraico, o idioma usado no Antigo testamento. Para se referir ao arrependimento de Deus, os escritores empregaram a palavra naham, [nacham (naw-kham') - נַ֔חַם ]que significa também: tristeza, consolo, compaixão.

A palavra utilizada, com freqüência, para descrever o arrependimento humano é outra: é shûb, [shub - shuwb - שָׁ֖בוּ ] “que significa voltar-se (do pecado para Deus)” [HARRIS, R.L. (Organizador). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 951.]. Ela trata não somente de uma mudança externa (atitude), mas também interna (caráter). Deus não se arrepende dessa maneira. E por que não? Porque Ele está livre de pecado, porque seu caráter é perfeito! E mais: o arrependimento humano é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada, como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. Mas Deus é extremamente diferente. Ele jamais comete erros (Nm 23:19; I Sm 15:29).

Quando a Bíblia apresenta Deus se arrependendo e mudando sua intenção para com as pessoas, “na realidade, a mudança não é em Deus, mas no homem e nas relações do homem com Deus” [BERKHOF. L. Teologia Sistemática. Campinas: Luz para o Caminho Publicações. 1990, p.62]. Em outras palavras, o arrependimento de Deus não ocorre devido a qualquer mudança nele, mas devido a nossa mudança para com ele. Deus pretendia destruir a cidade de Nínive, por causa de seus pecados, mas houve arrependimento [shûb] e Deus se arrependeu [naham] do mal que tinha dito lhes faria e não o fez (Jn 3:10). Deus é imutável, mas não é inflexível, nem insensível [PRATNEY, W. A Natureza e o Caráter de Deus: Magnífica Doutrina de Deus ao Alcance de Todos. São Paulo: editora Vida, 2004, p. 199].

Não nos esqueçamos de que outro atributo de Deus é a misericórdia (Jn 4:2). Ele reage às decisões humanas, quer sejam positivas, quer sejam negativas. A maioria das profecias está condicionada à resposta humana (Jr 18:7-10). Apesar de parecer que o propósito de Deus mudou, de acordo com a perspectiva divina, nada mudou. Diante disso, não temos muito o que dizer, a não ser o que disse Paulo, que também se espantou com os mistérios de Deus: “Como são profundos o seu conhecimento e a sua sabedoria! Quem pode explicar as suas decisões? Quem pode entender os seus planos?” (Rm 11:33 – NTLH).

II - Aplicando o conhecimento em nossa vida:

Se cremos que Deus é imutável em suas perfeições, procuremos a santificação

Nas páginas amarelas da Revista Veja [Veja. São Paulo: Editora Abril, edição 1961, de 21 de junho de 2006], foi entrevistado o paulistano Silvio de Abreu, de, na época, 63 anos, um noveleiro experiente. Ao falar do sucesso da novela Belíssima, ele se confessou chocado com a tolerância do público com personagens canalhas. Depois de fazer uma pesquisa para observação da aceitação da novela, ele constatou que uma parcela das espectadoras “já não valoriza tanto a retidão de caráter. Para elas, fazer o que é necessário para se realizar na vida é o certo”. Esse seu encontro com o público o fez pensar que “a moral do país está em frangalhos”. A pesquisa revelou também “que as pessoas já não mais ficam ao lado do personagem do mocinho, mas sim do personagem bandido”.

Este grave dado mostra o quanto a sociedade brasileira se transformou moralmente. Na opinião de muitos crentes, a vida imita a arte. Mas o autor de Belíssima teve de adaptar a novela à moralidade brasileira, se quisesse alcançar audiência. A arte imitou a vida! Ele mesmo disse que, a não ser numa novela de época, será difícil o público engolir uma trama que insista em relacionamentos amorosos e conjugais estáveis e sinceros. Os “relacionamentos hoje são mais superficiais, as pessoas casam e descasam com facilidade”, explica. O Brasil mudou seus padrões morais, mas Deus não! Os seus padrões morais nunca podem ser melhorados, reduzidos ou revogados. Ele é imutável em seus atributos morais. Em tempos de multiplicação da iniqüidade (Mt 24:12), continuemos cultivando a santidade, em todas as áreas da nossa vida (I Ts 4:1-8), pois apenas os limpos de coração verão a Deus.


Se cremos que Deus é imutável em seus propósitos, aguardemos o seu julgamento

Pelo fato de Deus não punir mais as ofensas morais como nos tempos do Antigo Testamento, quando os seus julgamentos sobre a desobediência eram quase sempre imediatos e rigorosos, muita gente pensa que não haverá mais julgamento e condenação para os que se entregam à imoralidade (I Pe 4:3b). Assim sendo, quando a igreja prega que todos devem se arrepender dos seus pecados porque logo virá o tempo em que todos compareceremos perante o tribunal de Deus (Rm 14:10b), muitos reagem com deboche e escárnio (II Pe 3:4). Há uma implicância generalizada contra aqueles que falam do fim dos céus que agora existem e a terra (I Pe 3:7a). As pessoas modernas são anti-escatologia.

Deus não está nem mais tolerante [LUTZER, E. W. Dez mentiras sobre Deus: será que você já foi enganado? São Paulo: editora Vida, 2003, p.66], nem mais indiferente aos nossos pecados. Suas punições ainda são severas, mas existe uma mudança no momento em que elas são aplicadas. Deus odeia hoje o pecado tanto quanto sempre odiou. Ele não diminuiu os seus padrões. Todos, portanto, podem estar certos de que o juízo de Deus virá: “porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17:31). A aparente demora é uma questão relativa. O próprio Jesus garante que Deus fará justiça aos seus escolhidos, “embora pareça demorado em defendê-los” (Lc 18:7). “Deus julgará o justo e o perverso; pois há tempo para todo propósito e para toda obra” (Ec 3:17).


Se cremos que Deus é imutável em suas promessas, mantenhamos a esperança

Na revista Ultimato [Ultimato. Viçosa (MG0: Editora Ultimato. Edição nº301, julho/agosto de 2006, p. 3], cujo tema de capa era: Clima de Decepção, que, logo na página seguinte, é explicado e ilustrado pelo redator, que garimpou afirmações de decepção publicadas na imprensa nacional. Nelas, algumas pessoas expressaram a sua decepção com as ideologias, com o governo, com o presidente, com a democracia, com a nação mais poderosa do mundo, com a pós-modernidade, com os meios de comunicação. Na lista da revista, naquela época, faltou uma decepção, talvez a maior de todas: a decepção com a Seleção Brasileira de Futebol, que perdeu a Copa do Mundo de 2006.

Em tempos assim, de constante e variada decepção, para muita gente, parece ser impossível manter a esperança, além do mais, estamos usando exemplos de fatos ocorridos por volta do ano de 2006, e já estamos em 2010. Assim como naquela época muitos, nos dias atuais, tendem a olhar para o presente como se não houvesse futuro. Mas quem está em Cristo, não se deixa envolver nem se deixa seduzir pela desesperança. Ainda que a cessação da dor, a ressurreição, a plenitude da salvação, os novos céus e a nova terra, a vida eterna demorem, quem crê, espera porque sabe que o autor da promessa é o Deus que não pode mentir (Tt 1:2), nem mudar (Hb 6:18). Na verdade, temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura (Hb 6:19 – NVI). Ainda que demore, continuemos esperando, “guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas” (Hb 10:23 – NTLH).

Conclusão:

No inicio deste estudo, este atributo divino parecia não ter nenhuma aplicação prática. Agora, podemos ver a extrema importância da imutabilidade de Deus. No tempo em que vivemos, é muito confortante entendermos que o Deus que amamos, servimos e adoramos é imutável. Podemos confiar nele sempre! Mesmo quando o Senhor parece estar do lado do inimigo (HC 1:5-11, 12-17), continuemos acreditando e confiando que ele sabe o que faz (HC 3:16-19).

Feliz é a pessoa que entende que deve confiar em Deus, quando não consegue entender o que sua mão faz. Feliz é a pessoa que sabe que deve se prostrar na presença dos mistérios dos caminhos e propósitos de Deus. Feliz é a pessoa que continua crendo, independentemente do que aconteça. Feliz é a pessoa que deixa Deus ser Deus: “Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos” (AP 15:4).



Fonte:
Estudo bíblico de autoria do Pastor Genilson Soares da Silva


2 comentários:

  1. FUI MUITO EDIFICADO POR ESSA PALAVRA. SOU PASTOR TAMBÉM E HOJE VOU PREGAR SOBRE ESSE TEMA. COMO É BOM CONFIAR NUM DEUS IMUTÁVEL QUE CUMPRE SUAS PROMESSAS. DEUS VOS ABENÇÕE!

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  2. FUI MUITO EDIFICADO COM A PALAVRA SOBRE A IMUTABILIDADE DE DEUS. SOU PASTOR E HOJE VOU PREGAR SOBRE ESSE TEMA NA IGREJA. DEUS CONTINUE ABENÇOANDO A TRABALHO SÉRIO DE VOCÊS.

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