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O reinado do Rei Josias o reinado da Palavra


A falta de interesse em estudar as Escrituras Sagradas, em nossos dias, é evidente. Podemos mencionar algumas causas que contribuem para o distanciamento desta prática entre os cristãos: o materialismo, a correria do dia-a-dia, a má administração do tempo, o comodismo. Através da história, sabemos que a falta de conhecimento bíblico e secular norteou a vida de muitos povos, que, em razão disso, viveram desinformados a respeito dos seus direitos e de suas obrigações. Uma parte considerável dessas pessoas foi prejudicada pelas falhas grotescas de seus líderes, de pessoas que eram responsáveis pela educação, pelos ensinamentos à população.

Estamos contemplando as mesmas falhas hoje, quando milhares de cristãos, por falta de uma educação bíblica adequada, vivem praticando ações absurdas e continuam na prática de pecados e erros, que, se não forem corrigidos com urgência, sem dúvida alguma, acabarão por levá-los a situações difíceis nesta vida, sendo que, mais adiante, não terão condições de ver Cristo Jesus face a face, em sua breve volta.

E o rei se pôs em pé junto à coluna e fez o concerto perante o Senhor, para andarem com o Senhor, e guardarem os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o coração e com toda a alma, confirmando as palavras deste concerto, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo esteve por este concerto. (II Rs 23:3)

Em razão disso, vamos refletir sobre a narrativa bíblica a respeito do reinado de Josias, em Judá, que nos mostra o lamentável fato de que os líderes haviam abandonado a palavra de Deus, a adequada instrução ao povo e cometido pecados terríveis aos olhos do Senhor (II Cr 33:25,34 e 35; II Rs 22-23). Veremos que o grande adversário do povo de Deus se aproveitou de tal forma daquela situação, a ponto de levá-los completamente à idolatria, ao paganismo e à profanação da terra de Judá. Foi necessário Josias se colocar na dependência do Espírito de Deus e andar retamente nos caminhos do Senhor para poder realizar o avivamento e as reformas no meio daquele povo, tendo como ponto de partida o resgate das Escrituras (II Cr 34:29-33).

I – A história contada

Segundo a Bíblia Sagrada, Josias foi o décimo sétimo rei de Judá; tornou-se rei com a tenra idade de oito anos. Sucedeu a seu pai, Amom, como rei de Judá, cerca de 639 a.C. (II Rs 22:1), e, desde o começo, governou com um propósito reto de buscar a Deus com muita seriedade, sem se desviar do Senhor em coisa alguma. Foi contemporâneo do profeta Zacarias (Zc 6:10; II Cr 34:2-3).

Josias nunca conheceu seu bisavô, Ezequias, mas eles foram semelhantes em muitos aspectos. Ambos tiveram um relacionamento íntimo e pessoal com Deus; foram reformadores entusiastas; fizeram esforços valorosos para levar seu povo de volta a Deus; foram também lampejos brilhantes de obediência a Deus. O governo de Josias ocorreu depois do reinado do aterrorizante Manassés, seu avô, que eliminou a religião verdadeira do meio do povo, e do perverso Amom, seu pai, que aprofundou as atitudes pecaminosas de Manassés (II Cr 33:18-24). Mas, em meio a esse tempo difícil, Josias assumiu o poder e corrigiu o desgoverno anterior de seu avô e de seu pai (II Cr 34:2; II Rs 22:1-2).

É importante destacar que, antes do cativeiro, os levitas eram os responsáveis pelo ensino da lei ao povo, função compartilhada pelos sacerdotes, que eram os intérpretes oficiais da lei. Mas, aos poucos, a ênfase foi sendo dada a uma vida concentrada mais nos festivais religiosos, no templo e nos sacrifícios.

O profeta Habacuque percebeu essa mudança, e, no primeiro capítulo de sua profecia, expôs sua preocupação, não com festividades e ritos religiosos, mas com as condições sociais e morais de Judá. Ele estava tão inconformado que clamou ao Senhor, colocando as violências e as injustiças praticadas em toda a parte pelo povo de Deus, apesar de o rei Josias ser temente a Deus e ter o coração dedicado ao Senhor.

Sem dúvida, nos seus primeiros anos de governo, Josias foi monarca apenas de nome, mas, quando dos seus dezesseis anos de idade, ele já começou a impor sua vontade, pois já entendia que havia uma enfermidade espiritual em sua terra: os reis, os sacerdotes e os profetas haviam se afastado das leis divinas e conduzido o povo de Deus ao erro. Os ídolos estavam brotando no campo mais rápido que as colheitas. Podemos dizer que Josias começou o avivamento quando ele próprio, no oitavo ano de seu reinado, sendo ainda moço, começou a buscar o Deus de Davi, seu pai (II Cr 34:3).

Em perfeita comunhão com Deus, Josias mandou seus empregados iniciarem a reforma no Templo, em Jerusalém, que estava abandonado (II Rs 22:1-6). O sacerdote Hilquias, enquanto comandava os reparos, encontrou um volume que continha, pelo menos, uma parte dos livros de Moisés: o Pentateuco (II Rs 22:8-13; II Cr 34:8-21). A palavra de Deus fora encontrada! Surpreende-nos que os escritos da Lei estivessem perdidos e houvesse apenas uma cópia daquele documento, pelo que a descoberta de um único manuscrito causou tanta agitação. Quão precária, do ponto de vista humano, era a preservação daquela parte das Escrituras! Diante da surpresa que causou esse descobrimento, veio à tona a ignorância, a desobediência e o estado de pecado do povo hebreu.

Ao ouvir a leitura do Livro Sagrado, Josias ficou chocado, rasgou as suas vestes e declarou: ... grande é o furor do SENHOR que se acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem segundo tudo quanto de nós está escrito (II Rs 22:13b; cf. II Cr 34:21). Ficou patente, então, que o povo de Israel daquele período desconhecia completamente a vontade do Senhor Deus e da palavra escrita anteriormente; também ficou evidente a grande falha daqueles que tinham a responsabilidade da guarda e do ensino das Escrituras.

Em razão disso, o rei entrou num período de lamentação, mas agiu imediatamente: mandou consultar a profetiza Hulda, através de quem o Senhor confirmou a gravidade da situação (II Rs 22:11:20; cf.II Cr 34:19-28); conclamou todo o povo para um grande encontro e presidiu o culto de renovação da aliança, em que todos prometeram seguir ao Senhor e obedecer às suas ordens (II Rs 23:1-3; cf. II Cr 34:30-33)

Em seguida, inflamado pela palavra de Deus, o rei ordenou a purificação do templo, quando destruiu e limpou tudo o que reconhecia como não-pertencente à adoração ao Deus verdadeiro, e trabalhou com entusiasmo na eliminação da idolatria e na purificação geral das formas e práticas religiosas na casa de Deus. Quando Josias estava com vinte anos de idade, já era um fenômeno generalizado em Judá. A reforma religiosa por ele realizada foi tão intensa que chegou mesmo a execrar as sepulturas dos sacerdotes idólatras que haviam participado da apostasia das gerações anteriores. Os ossos daqueles líderes religiosos foram consumados, queimados nos altares que, por fim, foram derrubados. A narrativa bíblica sobre esses atos de Josias é impressionante: ... no duodécimo ano, [Josias] começou a purificar a Judá e a Jerusalém dos altos, dos postes-ídolos e das imagens de escultura e de fundição. Na presença dele, derribaram os altares dos baalins; ele despedaçou os altares do incenso que estavam acima deles; os postes-ídolos e as imagens de escultura e de fundição quebrou-os, reduziu-os a pó e o aspergiu sobre as sepulturas dos que lhes tinham sacrificado. Depois queimou os ossos dos sacerdotes pagãos nos altares onde eles haviam oferecido sacrifícios. Assim Josias purificou Judá e Jerusalém. (II Cr 34:3-5; cf. II Rs 23:4-20)

Os resultados concretos desta purificação espiritual puderam ser vistos no retorno do povo de Judá à prática de uma de suas celebrações mais sagradas: a Páscoa. A quantidade de participantes e de elementos para a celebração foi tão grande (II Cr 35:1-17; cf .II Rs 23:21-23) que o escritor do livro de II Crônicas fez a seguinte conclusão: Nunca, pois, se celebrou tal Páscoa em Israel, desde os dias do profeta Samuel; e nenhum dos reis de Israel celebrou tal Páscoa, como a que celebrou Josias com os sacerdotes e levitas, e todo o Judá e Israel, que se acharam ali, e os habitantes de Jerusalém (35:18). A palavra de Deus influenciou de tal forma as atitudes do povo, durante o reinado de Josias, que Enquanto ele viveu, não se desviaram de seguir o SENHOR, Deus de seus pais (II Cr 34:33b).

O avivamento liderado por Josias, portanto, bem como os conduzidos por outros reis, levou o povo para perto de Deus. Mas é importante destacar: somente por breve período. Mais uma vez, porém, após a morte do rei, os novos monarcas, Jeoacaz, e seu irmão, Jeoaquim, conduziram o povo a se afastar do Senhor (II Rs 23:31-32,36-37; II Cr 36:1-5), enveredando-o pelo caminho trágico do pecado, que o conduziria a um único destino, o juízo.

II - A história aplicada

1. A renovação espiritual requer embasamento bíblico.

O que levou Josias a promover uma restauração espiritual em seu reinado? Embora o texto não diga, podemos dizer que um dos motivos, mas não o principal, foi o ocorrido com Israel, o Reino do Norte, que fora punido por Deus com os mesmo pecados que agora o Reino do Sul, Judá, estava praticando. O motivo principal, todavia, foi o conteúdo dos livros encontrados por Hiquias, o sumo sacerdote (II Rs 22:8-13). Que livro seria este? Em II Rs 22:11, ele é designado por “livro da lei” e, em II Rs 23:3, ele é chamado de “o livro do pacto”. A maioria dos estudiosos acredita que o livro continha parte (Dt 7:12 –26:22- 28:14) ou todo o livro de Deuteronômio. Foi mediante essa palavra de Deus que Josias empreendeu a restauração espiritual.

A base de qualquer restauração espiritual deve ser sempre a palavra de Deus. Muitas tentativas de restauração têm sido empregadas, mas fracassam. Por quê? Porque a base está errada. Às vezes, as bases são idéias de um líder ou até mesmo de um grupo. Se a palavra de Deus não for a base central, de nada valerão os esforços. A renovação espiritual deve começar com a retomada da leitura e do estudo da Bíblia. Sendo assim, todos precisam fazer o concerto perante o SENHOR, para andarem com o SENHOR, e guardarem os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o coração e com toda a alma (II Rs 23:3a). Sem a Palavra de Deus, nunca haveria as renovações espirituais no reinado de Josias. O ponto alto de todos os verdadeiros avivamentos foi o apego à palavra de Deus.

2. A renovação espiritual requer envolvimento pessoal.

Hilquias, Aicã, Abdom, Safã e Asaías foram falar com uma profetisa chamada Hulda, que morava no bairro novo de Jerusalém. Ela lhes explicou a mensagem do livro encontrado. Eles voltaram e disseram tudo ao rei Josias (II Rs 22:14-20). O capítulo seqüencial começa com as seguintes palavras: Depois disso (II Rs 23:1 – NVI). Esta pequena expressão é significativa. Ela indica o engajamento e o envolvimento pessoal de Josias, sendo que o que lemos no restante do capítulo já são gestos e atitudes concretas de obediência à palavra de Deus. Ele reuniu as autoridade e a população de Judá para explicar-lhes a Palavra; exigiu que todos assumissem um compromisso em obedecer às Escrituras (II Rs 23:3); a seguir, deu ordens aos sacerdotes para realizarem a purificação do templo. Os sacerdotes cumpriram prontamente a determinação real (II Rs 23:4-7). Depois, o que lemos é que Josias destruiu, pessoalmente, as imagens e os altares pagãos do reino de Judá (II Rs 23:8-19).

Ele não ficou apenas na intenção, mas passou a agir; ele pôs as mãos na massa, como dizem. Isso nos mostra que a verdadeira renovação espiritual requer ação imediata. Não podemos ficar apenas na vontade, no projeto, no discurso; precisamos agir de maneira rápida e urgente. Deus tem pressa; por isso, não podemos ficar adiante da realização da sua vontade. Muitos sentem o desejo e a vontade de empreender renovação espiritual na igreja em que congregam, mas, quando chega a hora de tomar a decisão de limpá-la daquilo que desagrada a Deus, ficam apenas na teoria.

O Senhor não quer que sejamos apenas bons ouvintes da sua palavra; ele busca praticantes: E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos (Tg 1:22). Diz ainda mais a Bíblia: Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito (Tg 1:25).

3. A renovação espiritual requer participação coletiva.

Não há renovação espiritual, sem que haja compromisso do povo. O povo de Judá comprometeu-se diante de Deus e de Josias. Assim, o texto bíblico diz que o rei subiu à Casa de Deus, e com ele todos os homens de Judá, e todos os moradores de Jerusalém, e os sacerdotes, e os profetas, e todo o povo, desde o menor até ao maior; e leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se achou na Casa do SENHOR. (II Rs 23:2)

Perceba a reação do povo, na parte final do terceiro versículo: E todo o povo prometeu cumprir a aliança (II Rs 23:3 – NTLH). Observe também que o povo assumiu o compromisso de cumprir a palavra de Deus conforme escrita no livro encontrado. Josias não teria conseguido fazer o que fez no reino de Judá, se o povo não lhe estivesse submisso. Josias já havia experimentado a transformação e, depois, quis envolver a todos os seus súditos, porque sabia que, para a lei, de fato, ter efeito sobre a vida nacional, seria de fundamental importância o envolvimento e o compromisso de toda a população. Ele incluiu a todos no seu projeto de renovação espiritual.

Neste sentido, o despertamento espiritual não é responsabilidade exclusiva da liderança, mas de todo o povo. Deus quer que todos que fazem parte do seu povo tenham compromisso e envolvimento nos projetos de renovação espiritual. Ninguém pode se negar a participar, a cooperar, a contribuir. Deus que ver todos trabalhando perseverantemente.

Conclusão

A experiência do rei Josias nos ensina o quanto é perigoso e grave a igreja de Cristo desprezar a palavra de Deus, deixá-la de lado, relegá-la à insignificância, enfim, não a usar como fonte de inspiração para a resolução de problemas, sejam eles administrativos, ministeriais, familiares, profissionais, matérias, espirituais. Quando a Bíblia é afastada dessas áreas da vida, tudo fica muito difícil.

A redescoberta da Bíblia por uma pessoa ou por um grupo de pessoas propicia grandes mudanças e transformações, porque o divino entra no humano e as coisas inesperadas voltam a acontecer. A grande reforma de Josias foi edificada sobre a redescoberta de uma porção da Bíblia, que havia sido perdida, e as coisas estavam ficando cada vez piores; o povo estava cada vez mais longe do Deus de Abraão.

Bom seria se não tivéssemos nenhuma redescoberta da Bíblia, mas que seu uso fosse uma normalidade a influenciar a vida de todos, através da leitura e da obediência à lei de Deus. Se assim for, sem dúvida, teremos uma igreja melhor, uma família melhor, um mundo melhor para viver, com menos problemas entre as pessoas; certamente, diminuirão a corrupção, as heresias, as atitudes arrogantes, e com certeza, haverá mais cristãos íntegros aos olhos do Senhor Deus, Criador do universo.


Fonte:
Estudo bíblico de autoria do Pastor Williams Corrêa Soares
Série de estudos sobre o mais interessante período da história dos israelitas: o período da monarquia israelita


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