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Fiquem Firmes Na Fé

Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo. (I Pe 5:8-9)

O texto de I Pe 5:8-11 é rico em ensinamentos para a vida cristã. Começa falando da necessidade de sobriedade e vigilância, qualidades indispensáveis para uma vida espiritual saudável. Ser sóbrio é ser moderado, comedido, disciplinado, cuidadoso; ser vigilante é ser diligente, atento, cauteloso; é não se deixar iludir ou enganar. Assim deve ser o cristão: Cuidadoso com o que pensa, com o que fala e com o que faz, para não dar lugar ao inimigo que, segundo este texto da Escritura, anda em redor, bramindo como leão buscando a quem possa tragar.

A esse inimigo somos aconselhados a resistir com firmeza, tal como o fez Jesus, usando para isto a palavra de Deus (Mt 4:1-11), pois na luta em que estamos empenhados as armas são espirituais (Ef 6:10-13), já que a nossa luta não é contra a carne e o sangue, e sim, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais. Porém, temos da parte de Deus gloriosas promessas, como, por exemplo, a que vem a seguir: Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós (Tg 4:7). Apesar de ser perigoso e poderoso, a Bíblia garante que, se o resistirmos firmes na fé, ele fugirá de nós!

I. PERSEVERANDO ATÉ O FIM

A primeira carta de Pedro é endereçada aos crentes em Jesus que viviam no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na Ásia e na Bitínia (I Pe 1:1). Ao longo da carta encontramos palavras como: “ultraje”, “suspeita”, “abuso”, “perseguição”, que eram bem familiares para esses cristãos. Foi neste contexto que Pedro escreveu a carta que leva o seu nome. Corriam os anos de 62-63 d.C. e o palco da grande perseguição de Nero (64 d.C.) já estava montado. Esta carta é um manual para os cristãos que sofrem por amor a Cristo. Neste último capítulo da epístola, o apóstolo Pedro encerra com estas recomendações para aqueles crentes. Ele termina em tom de alerta: Fiquem firmes!

1. De olhos abertos! Estejam alertas e vigiai (I Pe 5:8a). “Vigiai”; este verbo é a grande ordem deste versículo. Significa “ficar acordado”, de olhos bem abertos, “soa agudamente: estejam alertas! Sejam Vigilantes!” [Rienecker; Rogers (1995:568)]. Esta advertência bíblica aparece com regular freqüência tanto nos evangelhos como nas cartas e epístolas dos apóstolos, e tem como propósito chamar a atenção daqueles cristãos que, eventualmente possam estar despercebidos e indiferentes para com as coisas de Deus, ou até mesmo dormindo espiritualmente: vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o Senhor da casa (Mc 13:35), etc. Na linguagem figurada usada por Jesus na parábola do trigo e do joio, ele disse que o joio (que não deveria estar no meio do trigo), foi semeado pelo inimigo, enquanto os homens dormiam (Mt 13:25). Deduz daí que o cristão não pode dormir espiritualmente, porque o diabo, seu grande inimigo não dorme. E estando por perto, vale-se de qualquer descuido para atacar. Por isso, Paulo advertiu: Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios (I Ts F5:6). Noutra parte o mesmo apóstolo diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá (Ef 5:14).

2. Um adversário furioso: O diabo, o inimigo de vocês, anda em redor como leão, rugindo e procurando quem possa tragar (I Pe 5:8b - NTLH). O cristão não pode vacilar um só instante, ou seja, precisa estar permanentemente vigiando, porque o inimigo está sempre por perto, à procura de uma oportunidade, para atacar e devorar. E este inimigo é o diabo. Ele é o nosso acusador e de nossos irmãos (Ap 12:10). Faz acusações falsas e “caluniosas contra os santos. Qualquer deslize no pecado dá a ele o direito de condenar o pecador e garantir o seu castigo; portanto, a vigilância perpétua de um esforço sério do cristão são fundamentais” (cf. 1:13; 4:7) [Taylor e outros (2006:244)]. A tática usada pelo Leão é a de atacar principalmente aquelas ovelhas que se encontram distraídas e afastadas do rebanho, as que lhe parecem mais fracas, cansadas, ou inexperientes. Do mesmo modo age também o diabo. Ele é oportunista. Qualquer demonstração de fraqueza por parte do cristão constitui uma brecha perigosa, pois poderá ensejar-lhe a oportunidade de agir. Por isso a palavra de Deus aconselha: Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos (I Co 16:13). Portar-se varonilmente é portar-se como pessoa espiritualmente adulta, com capacidade para discernir entre o bem e o mal e entre o certo e o errado.

3. Resistir é preciso: Resistam-lhe permanecendo firmes da fé (I Pe 5:9a). A esse inimigo, o crente só pode combater e vencer, permanecendo firme na fé. Qualquer descuido de sua parte, poderá ser fatal. O crente cuidadoso e vigilante jamais dará brecha para o inimigo. “Não devemos nos render diante de sua fúria. Antes, devemos resistir-lhe firmes por meio da oração e da palavra de Deus. Não temos forças suficientes em nós mesmos para nos opor a ele, mas, ao nos firmarmos na fé, em nossa dependência do Senhor, poderemos resistir-lhe” [Macdonald (2006:935)]. Tiago sugeriu a mesma medida capaz de afugentar o inimigo: Resisti ao diabo e ele fugirá de vós (Tg 4:7). “Resistir ao inimigo significa manter-se firme na palavra de Deus e recusar-se a ser movido” [Wiersbe (2008:559)]. Com o verbo “resistir”, o apóstolo Pedro pinta diante de nós, a imagem de um soldado que está sendo atacado pelo inimigo, mas que não recua, não sucumbe, mas oferece resistência. E, de acordo com Pedro, esta resistência é firme (5:9a). A palavra “firme” corresponde a palavra grega stereos, que descreve solidez, significa “algo sólido”, “completo”. “Sem permanecer firmes, não seremos capazes de resistir. Nossas armas são a palavra de Deus e a oração (Ef 6:17, 18) e nossa proteção é a armadura completa que Deus nos dá” [Wiersbe (2008:559)].

4. Tensão por todos os lugares: Os irmãos que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos (I Pe 5:9b). A bênção da salvação assim como todas as demais bênçãos que a ela estão associadas são privilégios que alcançamos mediante a fé em Jesus Cristo, e são mais ou menos comuns a todos os crentes em toda parte. De igual modo também, as aflições, pelas quais passamos, são partilhadas por todos os crentes em Cristo. É com base nessa realidade que a Escritura manda: Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram (Rm 12:15), e, De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele (I Co 12:26). É enganoso pensar que o fato de sermos cristãos nos isenta do sofrimento ou que o sofrimento só vem para as outras pessoas. Jesus disse: No mundo tereis aflições (Jo 16:33); portanto, enquanto estivermos neste mundo estaremos sujeitos ao sofrimento. O que sabemos é que não estamos sozinhos nisso, pois pelas mesmas aflições pelas quais passamos, passam também, os nossos irmãos em outras partes do mundo. As pressões do meio podem ser diferentes e os motivos podem ser outros, mas todos nós, sem distinção sofremos. O que nos consola é saber que: ... a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente (Rm 8:18; II Co 4:17).

5. Ajustando a perspectiva: Depois de falar de resistência e dos sofrimentos que assolavam os cristãos por toda a parte, Pedro começa o versículo dez em tom de esperança: O Deus de toda a graça, que os chamou para a sua glória eterna em Cristo Jesus, depois de terem sofrido durante um pouco de tempo... (I Pe 5). O sofrimento presente é apenas durante um “pouco de tempo”. Com esta expressão, Pedro mostra que os sofrimentos são temporais, isto é, não duram para sempre. Toda a provação tem um tempo estabelecido por Deus. É ele quem dita as regras. Por mais difíceis que elas sejam sempre haverá um novo amanhecer: O choro pode durar uma noite mais a alegria vem pela manhã (Sl 30:5). Não podemos perder de vista que Deus nos chamou para a sua glória eterna! Neste texto, Pedro ajusta a perspectiva dos crentes em Jesus de sua época, ao contrastar o pouco tempo do sofrimento, com a eternidade da glória a ser revelada. Para estes cristãos sofredores, estas palavras eram extremamente importantes. Os sofrimentos e a submissão aos outros, a luta contra o inimigo perverso, “a resistência diária às suas investidas sutis – tudo isto é essencial na vida do crente porque este é o caminho de Deus para a maturidade espiritual (Rm 8:29) e a participação de Sua glória com Cristo (I Pe 5:10)” [Welch (1978:97)].

6. Deus está trabalhando: Pedro conclui o versículo dez, mostrando que mesmo diante das aflições do presente, os cristãos poderiam ter a certeza de que Deus estava trabalhando, e para o bem deles. Ele disse: ... depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá (I Pe 5:10b). “A verdadeira vitória em meio à perseguição consiste em ver Deus trabalhando nos bastidores a fim de cumprir seus propósitos maravilhosos” [Macdonald (2008:935)]. O versículo apresenta uma sequência de verbos - “aperfeiçoará”, “confirmará”, “fortificará” e “fortalecerá” -, que mostram a maneira que Deus atua na vida dos crentes. “O tempo futuro dos quatro verbos indica que se tratam de promessas de Deus, às quais os leitores são chamados a se apegar” [Mueller (1988:265)]. Nada é mais confortador do que sabermos que o mesmo Deus que nos chamou, através do evangelho, está disposto a colaborar, para que a nossa conduta seja cada vez mais aperfeiçoada. Esse “aperfeiçoamento” implica, necessariamente, a correção de falhas ou desvios de caráter. Mas Deus está disposto a ajudar neste sentido. E não só isto, ele tem igual interesse em que o crente seja “confirmado”. Estar confirmado na fé é a mesma coisa que estar certo e seguro do que crê. Ele também “fortificará e fortalecerá”. Deus também dará força a seus fiéis para que se mantenham firmes naquilo que aprenderam.

Como soldados de Jesus Cristo, estamos empenhados numa luta contínua. E o inimigo contra o qual lutamos é forte e astucioso. Não podemos vacilar. Portanto, a ordem dada aos primeiros cristãos, permanece em vigor ainda hoje: Sede sóbrios e vigiai (I Pe 5:8). Paulo, o valoroso soldado de Jesus, exemplo de fé, nesta luta, deixou para o nosso ensino: Sofre pois, comigo, as aflições como bom soldado de Jesus Cristo (...). E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente (II Tm 2:3-5).

II. PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS

Firmes diante dos ataques do inimigo - Como cristãos, precisamos estar permanentemente alertas para não nos deixarmos levar pelo engano de Satanás e cairmos em suas armadilhas. E este cuidado precisa estar presente em cada momento de nossas vidas: em nosso relacionamento com as outras pessoas, dentro do nosso lar, na vizinhança, na escola, no trabalho, na igreja, etc. De uma coisa devemos estar certos: Se permanecermos fiéis à palavra de Deus, e se dela fizermos uso adequado, a exemplo do que fez Jesus, todas as tentativas do inimigo no sentido de nos derribar, serão frustradas.

Firmes diante das aflições do presente - O cristão não pode esquecer-se de que, ninguém há que se disponha a seguir a Jesus que não tenha uma cruz para carregar. E, não se trata de uma mesma cruz para todos, cada um tem a sua própria cruz. E, é evidente que essa cruz não tem o mesmo peso para todos. Todavia, a mais pesada foi a que Jesus carregou. Por isso podia dizer: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz e siga-me (Lc 9:23). Sem abnegação, ou negação de si mesmo, torna-se difícil e até mesmo impossível, suportar qualquer tipo de aflição. Fiquemos firmes diante das aflições!

Firmes diante das promessas de Deus - Deus tem uma mensagem especial para cada situação pela qual os seus filhos estão passando ou irão passar. No texto em questão, em que o foco é a aflição e como superá-la, temos da parte de Deus a seguinte promessa: E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá (I Pe 5:10). Há situações na vida do cristão que só podem ser superadas com a ajuda de Deus. Como está a sua vida? A impressão que você tem é que não vai conseguir resistir até o fim? Creia na promessa de Deus! Sofrer por amor a Cristo vale à pena. Em meio as sofrimento ele está nos aperfeiçoando, confirmando, fortificando e fortalecendo. Creia nisso.

CONCLUSÃO

Concluo reiterando tudo àquilo que já foi dito até aqui, no tocante a necessidade de sobriedade e vigilância por parte do cristão, no sentido de prepará-lo melhor para a sua luta diária contra as forças do mal. O nosso inimigo é perigoso, ele ruge como Leão: sejamos sóbrios! É por esta razão que a Escritura adverte insistentemente: Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim, contra os principados, contra as potestades, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef 6:10-13). Não nos iludamos. Estamos envolvidos numa batalha da qual só poderemos sair vencedores se permanecermos firmes na fé. Foi pela fé que os fiéis, nossos antepassados, alcançaram testemunho (Hb 11:2). Diante desse fato, lembramos mais uma vez que, as aflições ou tribulações pelas quais passamos durante a nossa caminhada cristã, são, na maioria das vezes, instrumentos dos quais Deus se utiliza para nos ajudar no processo de nosso aperfeiçoamento: ...sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência e a experiência a esperança... (Rm 5:3-4).

Que Deus nos ajude a exercitar todas estas coisas.

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DEC - PC@maral

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