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Tome Uma Atitude Diante de Deus

A verdadeira instrução esteve na sua boca, e a injustiça não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão e da iniqüidade apartou a muitos. (Ml 2:6)

Malaquias condenou a quebra da aliança feita por Deus com os levitas, e, por conseqüência, todo o povo estava enfrentando uma das mais graves crises de sua história religiosa. Crise moral, espiritual e de relacionamento. O livro de Malaquias está densamente recheado de advertências, exortações e repreensões do começo o fim. Ao contrário disso, porém, o texto que encabeça este estudo, como uma rara exceção, trata de coisas boas, de exemplos que podem e devem ser imitados. Ele mostra o padrão de sacerdócio ideal, tão negligenciado na época de Malaquias.

O artigo anterior sobre Malaquias, publicado dia dezoito de outubro com titulo “O Temor do Senhor é o Principio da Sabedoria”, tratou da aliança feita por Deus com os levitas, tendo enfatizado a necessidade de temor por parte daquele povo, como prova do seu interesse pela manutenção da referida aliança. O de hoje destaca a atitude daqueles que foram fiéis a Deus, no seu modo de agir. A igreja da atualidade precisa urgentemente de líderes assim! Estamos vivendo uma crise moral e espiritual no meio evangélico: líderes perdidos emocionalmente e confusos doutrinariamente. “Há uma nuvem imensa de pastores e líderes que têm deitado no colo das Dalilas e acordado tarde demais, sem visão, sem força e sem ministério” [LOPES, H. D. Malaquias: a igreja no tribunal de Deus. São Paulo: Hagnos, 2006, pag. 52]. Malaquias 2:6, descreve algumas atitudes do ministro ideal. Analisemos este texto.

1. A verdadeira instrução esteve na sua boca: Ao dizer isto, o Senhor está se referindo àqueles sacerdotes que assumiram com responsabilidade o papel que lhes foi atribuído, como líderes espirituais do povo. Por intermédio deles, o povo foi instruído a temer e respeitar a Deus. Vejamos como exemplo o testemunho que Deus dá a respeito de Fineias: Finéias, filho de Eliazar, o filho de Arão sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois zelou o meu zelo no meio deles; de modo que no meu zelo não consumi os filhos de Israel. Portanto dize: Eis que lhe dou o meu concerto de paz (Nm 25:11-12). Com base nesse exemplo, a lição que fica é a seguinte: A igreja e seus ministros têm como dever instruir as pessoas (Mt 28:19-20): A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo (Cl 1:28). O verdadeiro ministro “está mais interessado em ser fiel do que em ser bem-sucedido. A verdade é mais importante do que o sucesso. Fidelidade é mais importante que popularidade. Importa mais agradar a Deus do que ser louvado pelos homens. A glória de Deus é melhor do que os aplausos humanos” [LOPES, H. D. Malaquias: a igreja no tribunal de Deus. São Paulo: Hagnos, 2006, pag. 54].

2. E a injustiça não se achou em seus lábios: Deus tem grande prazer em ver seus servos amando, vivendo e ensinando a justiça. Ele é exemplo disso: justo e reto ele é (Dt 32:4; cf. Sl 11:7). E há até mesmo uma importante promessa da parte dele, para aqueles que usam seus lábios para ensinar: Os entendidos, pois, resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas sempre e eternamente (Dn 12:3). Neste sentido, Jó nos deixou um importante exemplo: As minhas razões sairão da sinceridade do meu coração, e a pura ciência dos meus lábios (Jó 33:3). No texto em análise, o Deus de Israel se revela sensível bastante para reconhecer e aprovar as atitudes daqueles que lhe são fiéis, pois dá testemunho daqueles sacerdotes que guardaram a aliança com ele. Como é maravilhoso ver o próprio Deus elogiando-os seus servos! Isto ele já o tinha feito no tocante a Jó, quando disse a seu respeito: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, e desviando-se do mal (Jó 1:8). A esta altura, pergunto: Que temos feito para merecermos de Deus as mesmas referências dadas por ele a respeito daqueles sacerdotes?

3. Andou comigo em paz e em retidão: O significado da expressão “andar com Deus”, neste caso, é: “fazer o que é reto aos olhos de Deus”. Quando lemos que Enoque “andou” com Deus (Gn 5:24), é este o significado, ou seja, Enoque fez o que era reto aos olhos de Deus. A mesma coisa é dita sobre Noé: Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus (Gn 6:9). Foi ainda com este significado que Deus a usou quando falou com Abraão: Eu sou o Deus Todo poderoso; anda em minha presença e sê perfeito (Gn 17:1). Na oração de Ezequias o verbo “andar” não foge a este significado (cf. Is 38:3). Andar com Deus é mais importante do que trabalhar para Deus. O Senhor da obra é mais importante do que a obra do Senhor. Jesus chamou os doze apóstolos para estar com ele. Só então os enviou a pregar (Mc 3:14). Deus está mais interessado em quem nós somos do que em que nós fazemos. Ele não quer ativismo vazio, quer vida no altar [LOPES, H. D. Malaquias: a igreja no tribunal de Deus. São Paulo: Hagnos, 2006, pag. 53]. Conscientes disto, que atitudes temos adotado para merecermos a aprovação de Deus? Talvez precisemos orar como Davi: Ensina-me, Senhor, o teu caminho e andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome (Sl 86:11).

4. E da iniquidade apartou a muitos: De duas maneiras pode o ministro de Deus afastar as pessoas da iniquidade: com palavras e com exemplo. Com palavras: Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos (II Tm 2:25-26); com exemplo: Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade (Tt 2:7). Torna-te padrão dos fiéis na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza (I Tm 4:12). Da mesma maneira que o ministro do Senhor afasta as pessoas da iniquidade, quando ama e pratica a justiça, pode induzi-las ao erro, quando lhes dá mau exemplo. Por isso, a Escritura recomenda: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho (I Pe 5:2-3). É isso que ele espera de cada um, mas, principalmente, dos seus ministros: “... responsabilidade de levar outros ao Senhor e paixão por falar da palavra de Deus a outros que precisam ouvi-la.” [WIERSBE, W. W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Santo André: Geográfica, 2006, Vol. 4. pag. 595].

Um dos papéis mais importantes da igreja e dos seus ministros consiste em instruir as pessoas no conhecimento da palavra de Deus, para que sejam edificadas espiritualmente. Deus tem grande prazer em ver seus servos vivendo e ensinando a justiça, tendo preparado para aqueles que assim fizerem uma recompensa especial (Dn 12:3). “Andar” com Deus significa “fazer o que é reto”; e que, o nosso bom exemplo, pode influenciar positivamente as pessoas para o bem.

PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS

Preservando a justiça no falar - Um dos temas bastante destacados nas Escrituras é o que diz respeito ao falar do crente em Jesus. “As palavras são uma amostra do caráter” [BALDWIN, J. G. Ageu, Zacarias e Malaquias: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982 pag. 197]. Aquele que é integro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade e não usa a língua para difamar (...) Quem assim procede nunca será abalado! (Sl 15:2-3, 5b; cf. Pv 12:17, 18:4). A justiça no falar é uma das marcas dos ministros que agradam o Senhor. Deles o Senhor dá testemunho, dizendo: A verdadeira instrução esteve na sua boca, e a injustiça não se achou nos seus lábios (Ml 2:6). Assim quer o Senhor que andemos na sua presença.

Cultivando a retidão no andar - Um dos significados da expressão “andar com Deus” é: “viver em retidão” ou “fazer o que é reto diante de Deus”. Enoque, Noé e Abraão são algumas das pessoas que andaram com Deus. Como continuadores da obra que estes homens realizaram, temos o dever de imitá-los. Portanto, em nossas relações com Deus e com os homens, na família, na escola, no trabalho, na igreja, no transporte, aonde quer que estivermos, devemos cultivar a retidão. Essa virtude precisa estar sempre presente em nosso viver, porque muitas pessoas se espelham em nós.

Mostrando compaixão no viver - É grande o número daqueles que, consciente ou inconscientemente, estão no caminho largo, que leva à morte eterna. Por isso, são dignos de compaixão. Se ninguém os afastar desse mau caminho, o seu desfecho será infeliz. Portanto, temos o dever de contribuir, de alguma forma, para a salvação deles. Judas recomenda: Salvai alguns arrebatando-os do fogo; tende deles misericórdia (Jd 23). Tiago também afirma: Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados (Tg 5:20). Como poderemos fazer isso? Paulo responde: Atente bem para sua própria vida e para a doutrina, perseverando nestes deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem (I Tm 4:16)

CONCLUSÃO

A importância do falar, do andar e do viver do crente. Dignos de menção são aqueles líderes religiosos que usam os seus lábios para instruírem os que sabem menos; que andam no caminho da justiça, fazendo o que é reto diante de Deus, e vivem aquilo que ensinam. Sobre isso, a palavra de Deus diz: Assim falai, e assim procedei (Tg 2:12); aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou (I Jo 2:6); e mais: vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo (Fp 1:27).

Contra essas coisas, não há lei.

Que Deus nos ajude e abençoe!

LEIA + SOBRE O LIVRO DE MALAQUIAS AQUI

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DEC - PC@maral

Um comentário:

  1. Olá meu amigo, tem entrevista do mano Cláudio da Caminho da Graça lá no Mulheres Sábias, venha participe, faça sua pergunta. Paz!

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