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O Código de Hamurabi


Quem tem a oportunidade de visitar o Museu do Louvre, em Paris, vai encontrar por lá uma peça bastante interessante: O Código de Hamurabi. Um dos mais antigos conjuntos de leis escritas já encontrados, e um dos exemplos mais bem preservados deste tipo de documento da antiga Mesopotâmia. Segundo os cálculos, estima-se que tenha sido elaborado pelo rei Hamurabi por volta de 1700 a.C.. Foi encontrado por uma expedição francesa em 1901 na região da antiga Mesopotâmia correspondente a cidade de Susa, atual Irã. (Wikipedia) Eu estive por lá, e dou minha versão: É uma pedrona preta, cheia de ícones talhados. (risos)

É um monumento monólito talhado em rocha de diorito, sobre o qual se dispõem 46 colunas de escrita cuneiforme acádica, com 282 leis em 3600 linhas. A numeração vai até 282, mas a cláusula 13 foi excluída por superstições da época. A peça tem 2,5 m de altura, 1,60 metro de circunferência na parte superior e 1,90 na base.[1]

Na parte superior do monólito, em alto relevo, Hamurabi é mostrado em frente ao trono do rei Sol Shamash (Deus dos Oráculos), recebendo dele as leis. Logo abaixo estão escritos, em caracteres cuneiformes acadianos, os artigos regulando a vida cotidiana. (Wikipedia)

Duas coisas curiosas sobre ele: o código ficava numa câmara – como se fosse uma capela. Quando as pessoas na Babilônia queriam buscar sabedoria, entravam nessa câmara e ficavam lendo e meditando o código. Outra curiosidade das leis e regras registradas no código é que ele é um dos primeiros registros escritos da lei de talião(do latim lex talionis: lex: lei e talis: tal, aparelho que reflete tudo), também dita pena de talião, que consiste na reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. Esta lei ficou bem conhecida pela máxima olho por olho, dente por dente.

Nós que crescemos com o padre/pastor falando que Jesus nos manda amar nossos inimigos e oferecer a outra face, deixamos passar um detalhe interessante aqui.

Quando essa lei de talião foi criada, a prática de retaliação era brutal. Se um cara matasse o irmão do outro, este outro juntava mais cinco, matava o cara, sua mulher, filhos, punha fogo na casa dele e roubava o resto. A coisa era bárbara. Neste contexto, a Lei de Talião foi um grande avanço moral. Se o sujeito de cortou um braço, corta o braço dele e ponto. Deixa mulher, mãe, periquito e papagaio fora dessa. O cara matou sua mulher, mata a mulher dele. Era justo e ponto final. (Hum, me peguei pensando em estupradores… – bom, deixa isso pra depois.)

Agora um outro detalhe: o código apareceu 1700 anos antes de Cristo, a na sua época representou uma revolução. Daí vem Jesus.

Jesus não quer falar só do que é justo ou não. Jesus fala do que é pleno. Do que pode transformar. O sujeito te bateu? O justo seria devolver a bofetada. O pleno é oferecer a outa face.

O problema da retaliação espelhada é que o mal nunca cessa. Eu lembro que quando éramos crianças minha mãe ensinou pro meu irmão uma versão adaptada da lei de Talião. Era simples: nunca comece uma briga, mas se alguém te bater, desconte na mesma medida. Só que o tiro saiu pela culatra. Meu irmão virou uma máquina automática de retaliar. Eu não podia esbarrar sem querer nele (juro que era sem querer), que ele disfarçadamente devolvia o esbarrão. Eu eu devolvia outro, afinal o primeiro fora sem querer, e numa fração de segundos estávamos rolando na porrada.

Porque descontar/revidar gera um ciclo vicioso. A proposta revolucionária de Jesus é interromper o ciclo com amor. É um xeque-mate surpresa. Se alguém te faz um mal ele espera reação. Se você surpreende com o amor e oferece a outra face, o amor constrange o ato inicial. O amor é um basta.

Meu, cá pra nós, o Cara é Mestre mesmo. Agora, levou 1700 anos para a humanidade captar o Código de Hamurabi. Nós já estamos com quase 2000 anos de cristianismo. Quanto tempo será que ainda falta pra gente entender o basta do amor?


Fonte:
Autor: Juliano Pozati

Um comentário:

  1. Muito bom! Sucinto e objetivo!

    Na real, sabemos o quanto é difícil praticar esse amor. Principalmente quando se trata de ataques a sua família. Porém, é quando estamos na nossa razão e optamos em não revidar que o Pai aplica sua justiça perfeita.

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