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Sobre Predestinação e Livre Arbítrio


A Salvação é uma Questão de Predestinação ou Livre-arbítrio?

"Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Ef 1.11)

Dois assuntos que têm sido muito debatidos teologicamente através dos séculos são o da predestinação e do livre-arbítrio. Embora estes assuntos tenham sido defendidos anteriormente por Agostinho e Pelágio, os representantes mais dissertivos desses pensamentos são Calvino (predestinação) e Armínio (livre-arbítrio). Longe de querer colocá-los no banco dos réus e absolver um dos dois, é bom que se diga que há pontos interessantes a ser considerados e não há necessidade de nos denominarmos Calvinistas ou Arminianistas. Podemos ser tão somente crentes que discernem o que é bom e rejeitam o que é anti-bíblico. Aceitar qualquer um dos “pacotes” é assumir um fardo desnecessário e complicado. Alguns posicionamentos nos ajudarão a caminhar seguros.

Deus sabe quem vai ser salvo?

Deus é soberano. Ele é o Senhor da história e do universo. Este mundo pertence ao Senhor: "Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam" (Sl 24.1). Independente das Suas criaturas Ele age. Ele não é refém de alguém ou de algum sistema. Ele chamou à existência quando tudo não passava de um abismo (Gn 1.1-3). Ele escreve a nossa história antecipadamente: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Sl 139.16). Ele conta nossos fios de cabelo (Mt 10.30). Estabelece o número dos dias para vivermos nesta terra (Jó 14.5). Ele chama cada uma dos milhões de estrelas pelo nome (Is 40.26).

Deus é sobre tudo e sobre todos. Ele usa quem Ele quer e da forma que quiser mesmo que não seja salvo ou pertença ao povo de Deus. Balaão, apesar de ser um falso profeta Caldeu, foi usado por Deus para abençoar os Israelitas (Nm 22-24). Podemos cantar livremente como Paulo: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm 11.33-36).

Deus é onisciente. Não há nada encoberto diante do nosso Deus Triúno. Ele sabe tudo a nosso respeito. Ele conhece nossos pensamentos, palavras e atos antes mesmo de acontecerem: "SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó SENHOR, tudo conheces" (Sl 139.1-4). Deus sabe tudo sobre Ele mesmo. O Espírito Santo perscruta todas as coisas, até mesmo as profundezas divinas: "Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus" (1 Co 2.10). “Essa idéia é também subtendida pela declaração joanina de que ‘Deus é luz, e não há nele treva nenhuma’ (1 Jo 1.5). Nesse contexto ‘luz’ sugere ao mesmo tempo pureza, moral e pleno conhecimento ou plena consciência. Se não há ‘treva nenhuma’ em Deus, mas ele é inteiramente ‘luz’, então Deus é ao mesmo tempo totalmente santo e também totalmente pleno de autoconhecimento.” [1]

Deus é presciente. Ele sabe antes que os acontecimentos se materializem. Pedro em sua pregação no Pentecostes afirmou: "A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos" (At 2.23). Antes mesmo que Cristo viesse ao mundo, vivesse como qualquer ser humano e morresse na cruz, Ele sabia de todos os detalhes. Não há evento histórico que não saiba. Uma prova irrefutável são as profecias. Profecia nada mais é que um aviso sobre o futuro. Alguma profecia bíblica caiu por terra? Salvo às que irão acontecer, podemos assinalar milhares que já foram cumpridas. Desta forma podemos dizer que Deus sabe o futuro de todo ser humano, se será salvo ou não.

Deus ama apenas alguns?

Um Deus tão grande poderia amar apenas alguns? Logicamente que não. João escreveu as palavras do próprio Cristo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). O mundo “kosmos” refere-se a todo gênero humano. [2] Não há alguém que não ame. Seu desejo é salvar a todos. Foi assim com os discípulos de Cristo e é assim conosco: "E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6.39-40).

 O Sacrifício de Jesus foi pela humanidade, embora a maioria não O aceite: "E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 Jo 2.2). Após a humanização e o sacrifício de Cristo, todos passaram a ter oportunidade de salvação: “Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.22-24).

Deus deseja que alguém se perca?

A morte de Cristo não foi dentro dos muros de Jerusalém, apenas para uma nação, mas na beira de uma estrada, fora dos portões para ser uma oferta para todo o mundo (Hb 13.12-13). Paulo, quando pregava em Atenas no seu memorável sermão ao Deus desconhecido foi inspirado pelo Espírito Santo ao dizer: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At 17.30).

Os versículos de 1 Timoteo 2.4 e 6 são claros também: “Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo." Pelo texto de Tito 2.11 e 12 somos também esclarecidos: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente.” Não sou “universalista”, ou seja, que todos serão salvos, mas posso dizer que Deus não deseja que alguém se perca. Pedro também ensinou universalmente que “o Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3.9).

Como alguém é salvo?

A Triunidade opera junto na salvação do pecador. Sem Deus o homem está morto em seus delitos e pecados. Deus o desperta pelo Evangelho da cruz (Jo 14.6), surge a fé (Rm 10.17), o Espírito Santo o convence (Jo 16.8) ele aceita (Jo 1.12) e a graça o salva. “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.5-10).

Não é por alguma ação humana, mas inteiramente divina. Unilateral, de cima para baixo. Barclay comenta assim o radical desta palavra no grego: “É usado para ‘o salvamento divino numa situação difícil’ (2 Co 1.11). A idéia básica da palavra é a de um dom gratuito e imerecido, alguma coisa dada ao homem sem trabalho nem merecimento, algo que vem da graça de Deus e que nunca poderia ter sido realizado, galgado ou possuído pelo esforço do próprio homem”.[3]

O homem possui livre-arbítrio ou vive um destino pré-definido?

As Escrituras contêm vários textos em que o direito humano de escolha está explícito e não fariam sentido num mundo pré-estabelecido:

Adão e Eva. O primeiro casal estava no Éden e uma ordem foi dada para que não comesse do fruto que estava no meio do Jardim. Eles não eram autômatos e preferiram o caminho da desobediência e originou o pecado. Seria uma incoerência serem castigados, caso tivessem sido criados para pecar (Gn 2.16-17; 3).

Caim. Antes de Caim assassinar seu irmão Abel Deus lhe advertiu: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar” (Gn 4.7). Ele foi advertido para mudar de atitude para que sua oferta fosse aceita. Ele também deveria dominar o pecado que estava em seu coração. Ele preferiu rebelde e covardemente assassinar seu irmão. Não haveria uma injustiça se tivesse sido criado para matar e depois levar um sinal para o resto de sua vida?

Israel no deserto (1). Dois montes marcaram a possibilidade de ser abençoado ou ser amaldiçoado, dependendo da escolha: Ebal e Gerizim (Dt 27 e 28).

Israel no deserto (2). Deus levantou Moisés que trouxe um recado do coração de Deus para o coração do povo: “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30.19).

Josué em Canaã. Um grande território da terra prometida havia sido conquistado, mas a vida espiritual dos israelitas estava distante de Deus. Josué reúne os líderes e desafia-os a optar pelo Senhor e expõe a sua escolha: “Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).
Isaías o profeta messiânico. “Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse. (...) Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi.” (Is 1.18-20; 55.3). Podemos ver um Deus amoroso, gracioso, bondoso, infinitamente liberal em Seu desejo santo de abençoar Seu povo, mas sem tolher a liberdade de escolha.

Ezequiel como atalaia do Senhor. “Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e avisá-los-ás da minha parte. Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas, se avisares ao ímpio, e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma” (Ez 3.17-19). A obrigação do Profeta era avisar da parte de Deus, pregar; a do ímpio era a de ouvir e converter dos seus maus caminhos.

Jesus nos dias do Seu ministério terreno: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30). O Seu convite foi universal, para todas as pessoas em todas as situações. Foi um convite e não uma imposição.

Jesus glorificado: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Ap 3.20). Percebemos o cavalheirismo de Cristo em convidar a todos para reconhecer a Sua voz e abrir a porta da existência para um requintado banquete da mais profunda comunhão espiritual.

O último convite da Bíblia: "E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida" (Ap 22.17). Este convite é feito pelo Espírito Santo através da Igreja – “E o Espírito e a esposa”. É um convite porque diz: “Vem”. É para quem sente as necessidades espirituais – “E quem tem sede”. Respeita o livre-arbítrio – “quem quiser”. É pela graça – “receba de graça”. Tem conseqüências eternas – “da água da vida”.

A graça de Deus é irresistível?

Deus na Sua soberania e independência faz tudo o que lhe apraz. Quando Ele deseja realizar algo quem O pode impedir? (Is 43.13). Desta forma, revela Seus atributos da forma e da quantidade que quiser. Deus sempre realizou chamados diferenciados para situações especiais: “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?” (Rm 9.20). No entanto, para salvação dá a opção de escolha. Antes da salvação pode haver resistência: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais” (At 7.51). E após a salvação também pode haver rejeição: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (Jo 3-18-21).

Como entender os textos que fazem referência palavra predestinação?

Se Deus ama a todos (Jo 3.16) e oferece a Sua graça mesmo aos rebeldes (Rm 10.21), não poderia predestinar apenas alguns para salvação e outros para perdição. Se admitirmos que muitos foram predestinados para a perdição, estamos dizendo que Deus é mal e que o “ágape” (amor) de Deus é uma ilusão. Também ficará subtendido que o Sacrifício de Cristo foi um sofrimento desnecessário tendo em vista que apenas a minoria seria salva. Concluímos que Deus no Seu amor predestinou a todos para salvação. Os que aceitam, recebem e compreendem as demais bênçãos (chamado, justificação e glorificação): "Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou" (Rm 8.29-30).

A predestinação é para tão somente sabermos que o plano de Deus para a salvação vem desde a eternidade. Para quem aceitou. "Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Ef 1.11). Se você está salvo, a palavra predestinação produz alívio e segurança. Saber que Deus nos amou numa eternidade passada eleva em muito o nível da nossa adoração. Por outro lado, não há nenhum erro em admitirmos a palavra “predestinação” para os salvos ou os perdidos, desde que entendemos a palavra amor, graça, soberania e livre-arbítrio.

Um salvo pode perder a salvação?

Infelizmente pode. Não deveria cair ou desprezar a oferta gloriosa do Senhor, mas diante desta possibilidade a Bíblia traz as advertências. Quantas coisas boas e de valores eternos o salvo recebe através de Cristo! Justificação, regeneração, adoção e santificação. Mas não basta sermos filhos, precisamos ser obedientes e fiéis até o fim. As palavras “apostasia” (2 Ts 2.3) e “heresia” (2 Pe 2.1), que significam rebelião, revolta, distanciamento da verdade, opinião obstinada, divisão, estão na Bíblia como sinal de alerta.[4]

No Antigo Testamento vemos propósitos especiais de Deus para os Israelitas, no entanto, a escolha, na maioria das vezes foi constrangedora. Tragédias e exílios marcaram a história desta Nação. O Salmo 137 e o livro de Lamentações de uma forma poética trazem conseqüências de escolhas e atitudes mal feitas.

Jesus deixa claro que após alguém ser salvo deve haver uma permanência. “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas. Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.5-7).

Um gentio convertido não deve se orgulhar por que há a possibilidade de rejeição. “Dirás então: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu pela tua fé estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme; porque, se Deus não poupou os ramos naturais, não te poupará a ti. Considera pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; do contrário também tu serás cortado. E ainda eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os enxertar novamente” (Rm 11.19-23).

Os salvos estão suscetíveis à queda. “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1 Co 10.12).

Podemos ser enganados e cair: “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo” (2 Co 11.3).

Os recém convertidos Gálatas foram avisados para não cair da graça: “Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo testifico a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça decaístes” (Gl 5.2-4).

Após sermos salvos devemos deixar as obras da carne para não cairmos e perdermos a salvação: “... contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.19-21).

Não podemos nos distanciar do Evangelho: “Se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro” (Cl 1.23).

Devemos perseverar até o fim: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial” (Hb 3.14). Muitos Cristãos do primeiro século, após serem salvos, e desfrutarem de todos os direitos como filhos de Deus, foram considerados perdidos, sem condições de restauração: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério” (Hb 6.4-6).

Muitos Israelitas caíram do propósito especial de Deus: “Ora, quero lembrar-vos, se bem que já de uma vez para sempre soubestes tudo isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram” (Jd 5).

Devemos guardar o que temos recebido: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11).

A crença numa predestinação cega pode nos tornar ociosos na área de missões, da oração e da santificação pessoal. Inconscientemente conclui quem pensa assim: Quem tiver que ser salvo vai ser e orar por que já que está tudo pré-definido? Por outro lado, a crença num livre-arbítrio desequilibrado pode tornar orgulhosos por que sentem-salvos pelo esforço próprio (legalismo) e gerar um fanatismo exacerbado.

Mas conseguimos responder onde termina a soberania de Deus e começa o livre-arbítrio? Não! Assim como não conseguimos entender todos os mistérios da Divindade (Trindade) ou a divisão da alma e do Espírito (Hb 4.12). Mas podemos descansar no SENHOR através de Deuteronômio 29.29: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre”.

Bibliografia

[1] GRUDEM, Waine, Teologia Sistemática, Vida Nova, 1999 p.136
[2] VINE. E. W. Dicionário Vine. CPAD. Rio de Janeiro. 2004. Pg. 809.
[3] BARCLAY, Willian, Palavras Chaves do Novo Testamento, Vida Nova, São Paulo, 1985, Pg. 40
[4] DAVIDSON E. – O Novo Comentário da Bíblia – Vida Nova – São Paulo – 2008 – pg.1307, 1423

Fonte:
Autor Pastor Elias Alves Ferreira

Um comentário:

  1. O meu amado, é imortante que todos saibam que Arminio não defendia o livre-arbitrio como Pelagio. Na verdade Arminio defendia a vontade livre (ou vontade libertada do pecado) pela graça preveniente.

    Sendo assim Arminio concorda com Agostinho e Calvinio na questão da Depravação Total, ou seja, o homem não nasce com livre-arbítrio, porque a sua natureza escravisa a sua vontade, mas quando essa vontade escravisada pelo pecado é liberta pela Graça, o individou tem seu "livre-arbítrio" (vontade livre, gosto mais desse termo) restaurado dando condições ao homem para escolher.

    Espero que tenha sido claro.

    Jean Patrik

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