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Ninguém Entende


O Senhor Jesus foi um Mestre paciente, que soube adaptar seus ensinamentos à capacidade de compreensão de seus ouvintes, cuja maioria era formada por pessoas simples. Esse esforço didático resultou nas escolhas das parábolas como meios de transmitir suas instruções acerca do reino de Deus. O evangelho declara que, sem parábolas, Jesus não lhes ensinava. A parábola do presente estudo está registrada tanto no Evangelho de Mateus (11:16-19) quanto no de Lucas (7:31-35). Antes de analisarmos o seu propósito, a sua verdade e os seus desafios, é importante familiarizarmo-nos com o seu conteúdo.

Os judeus da época de Cristo encontravam falta em qualquer mestre que Deus lhes enviasse. Primeiramente, apareceu João Batista, um homem que se mantinha afastado da sociedade e pregava o arrependimento. Ele se empenhou, de corpo e alma, na tarefa de preparar o povo para a chegada do Messias. A firmeza exemplar do Batista fazia dele um autêntico homem de Deus. Nada o movia a se comportar como um caniço agitado pelo vento, nem mesmo a violência de Herodes. Sem receio de desagradar, sua pregação convocava as pessoas à conversão. Ele sabia indicar, para cada um, o que devia fazer para concretizar o desejo de ser julgado digno do Messias vindouro. Mas isso não satisfez os judeus. Antes, estes acharam falta, e disseram: “Tem demônio”. Então, veio Jesus, o próprio Filho de Deus, pregando o evangelho, vivendo como o faziam outros homens quaisquer.

A que, pois, compararei os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes? São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes. (Lc 7:31-32)

A presença do Filho de Deus, na história humana, tinha uma finalidade bem concreta: trazer salvação a toda a humanidade. Fiel à missão recebida do Pai, Jesus foi em busca dos mais necessitados de salvação: publicanos e pecadores, com quem comia e bebia. E isso não satisfez os judeus. Novamente, acharam falta e disseram: Eis ai um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores.

Para ilustrar a atitude irracional e perversa dos judeus, Jesus contou a parábola das crianças brincando na praça.

Um grupo de crianças reuniu-se na praça, talvez vazia. Uma delas perguntou: Do que vamos brincar? Algumas sugeriram: Vamos brincar de casamento. De início, todas aceitaram a sugestão. Rapidamente, definiram quem faria o papel da noiva e do noivo. Mas ainda faltava o flautista. Logo, alguém se dispôs a fazer este papel. Qual seria o papel das demais crianças? Elas teriam papel de convidadas. O que elas iriam fazer? Apenas dançar. Iniciou-se, então, a brincadeira. De repente, surgiu a confusão: o grupo da dança recusou-se a dançar. A irritação foi geral. “Vocês não querem dançar?”, quis saber uma criança. “Não. Não vamos brincar disso”, responderam. Outra criança disse: “Vamos brincar de funeral? Quem concorda?” Todas as crianças concordaram. O que cada criança faria, na brincadeira, começou a ser definido. Uma tinha de se fingir de morta, enquanto outras cantavam músicas fúnebres. As demais tinham apenas de chorar. Após tudo acertado, foi perguntado: “Podemos começar?” Todas responderam: “Podemos!” As músicas fúnebres começaram a ser cantadas. Havia, porém, alguma coisa errada. O grupo do choro ficou quieto. Alguém explicou novamente: “Quando a gente cantar, vocês devem chorar. O grupo começou a cantar de novo. E o choro? Nada. Então, uma criança levantou-se nervosa e perguntou: “Vocês não vão chorar?” “Não, não vamos. Não queremos brincar de funeral”. Então, as crianças gritaram umas para as outras: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes (Lc 7:32). Todas ficam insatisfeitas, desgostosas e descontentes.

A verdade da parábola

A presente parábola enfatiza a seguinte verdade: Não importa o quanto a sua pregação seja reta e a sua conduta, santa; o discípulo de Jesus jamais conseguirá escapar da crítica e da censura das pessoas que o escutam, qualquer que seja a sua geração. João e Jesus são os maiores exemplos disso. Eles, porém, são também exemplos de ousadia. Embora se defrontando com forças hostis à sua pregação e sua conduta, João e Jesus não se deixaram intimidar. A intrepidez de João Batista revelou-se na coragem com que se defrontou com um governante ímpio. Reconhecidamente prepotente, Herodes apoderou-se, sem escrúpulos, da esposa de seu irmão, tomando-a como mulher. Sem medo, o profeta João denunciou a injustiça cometida e sofreu as conseqüências de sua ousadia: foi preso e, depois, morto. Com Jesus, a situação não foi diferente.

À medida que avançava, no seu ministério, levantava-se, para ele, toda espécie de barreiras. Seus adversários sentiam-se questionados por ele, e não sabiam como enfrentá-lo, na base do diálogo. Os argumentos do Mestre deixavam-nos desarmados. Eles não tinham a quem apelar, mesmo recorrendo à sabedoria que pensavam possuir. A decisão de matar Jesus visava eliminar o mal pela raiz. Seria uma maneira de fazer calar, para sempre, aquela voz incômoda, de bani-lo do meio do povo. Apesar de precaver-se para não morrer antes da hora certa, o Mestre não se deixou levar pelo medo. Antes, mostrou-se suficientemente corajoso para defrontar-se, cara-a-cara, com quem ameaçava tirar-lhe a vida.

Sempre existirão pessoas tão insensatas quanto aqueles judeus que ficaram insatisfeitos, primeiramente, com João e, posteriormente, com Jesus; são pessoas tão perversas quanto difíceis de se contentar. Em tudo que os discípulos de Jesus ensinam ou pregam, elas encontram alguma falha. Se falamos da salvação mediante a graça e da justificação pela fé, imediatamente, clamam contra a sua doutrina, como se fosse licenciosa. Se falamos da santidade que o evangelho requer e que afeta o intelecto (Cl 3:2; Fp 1:9; Rm 12:2), as emoções (Gl 5:22; I Pe 2:11; Ef 4:31), a vontade (Fp 2:12) e o corpo (Rm 6:4; I Co 6:12), prontamente, dizem que são por demais estritos e exigentes.

Se há alguém alegre, como ordena a carta de Paulo aos Filipenses, no capítulo 4, versículo 4, essas pessoas o acusam de leviandade. Se alguém se mostra grave e sério, então elas o taxam de azedo. Se nos mantemos afastados dos eventos sociais, elas o denunciam como exclusivista, bitolado, puritano. Se alguém come, bebe e se veste como as demais pessoas, freqüenta eventos sociais e outras atividades seculares, elas insinuam, zombeteiramente, que não vêem qualquer diferença entre ele e aqueles que não servem a Deus. A verdade incontestável é que os discípulos de Jesus não devem esperar que a geração incrédula esteja satisfeita, seja com a sua fé, seja com a sua conduta.

O discípulo de Jesus não precisa torturar sua mente com a fantasia de que, se tivesse menos defeitos e mais coerências, todos ficariam satisfeitos. Devemos lembrar que nunca houve homem perfeito na terra, senão um só, e ele não foi amado, mas, sim, odiado. Que maldade havia praticado nosso Senhor para ser tratado com desprezo? Nenhuma, de modo algum. Os judeus não podiam fazer qualquer acusação legítima contra ele. Jesus era santo, inocente, sem mácula e separado dos pecadores. Os seus dias passavam-se inteiramente na prática do bem. Nenhuma acusação sincera podia ser levantada contra a sua doutrina. Ele havia provado que a sua doutrina concordava com as Sagradas Escrituras.

Não obstante, pouco importava quão perfeitamente vivesse ou ensinasse. Ele era odiado. O discípulo de Jesus precisa preparar-se mentalmente para ouvir objeções, argumentos ardilosos e desculpas tolas; não importa quão santa seja sua vida. O melhor a fazer é não se deixar atingir por essas objeções. Assim é a natureza humana. O coração não convertido odeia a Deus e mostrará esse ódio sempre que tiver oportunidade favorável. Sempre perseguirá as testemunhas de Deus. Nem mesmo a coerência mais perfeita ou o caminhar mais chegado a Deus isentarão o crente da inimizade do homem ou da mulher natural. Afinal, o que dizem as Escrituras? Dizem que o homem natural não aceita as coisas de Deus (I Co 2:14). Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia (I Jo 3:13).

Os desafios da parábola

1. Mesmo que as pessoas desta geração não nos entendam, continuemos proclamando o julgamento anunciado pelo evangelho

Mesmo rejeitados e criticados, João e Jesus pregavam a respeito do julgamento. Acerca de João, lemos: Dizia ele, pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? (Lc 3:7). Acerca de Jesus, lemos: ... quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus (Jo 3:36). Precisamos anunciar mais, pregar mais, cantar mais sobre a ira vindoura. Somos incrivelmente inclinados a evitar pregar sobre esse assunto. Falamos sobre o amor e sobre a misericórdia de Deus, mas não destacamos a sua justiça e a sua santidade. É bom que todos saibam que há uma ira vindoura – que é aquele solene e inescapável acerto de contas. É aquele encontro do pecador ainda pecador com o Deus santo.

2. Mesmo que as pessoas desta geração não nos entendam, continuemos ensinando a generosidade requerida pelo evangelho

Mesmo rejeitados e criticados, João e Jesus pregavam a respeito da generosidade. Do Jordão, João dizia: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo (Lc 3:11). Do monte, Jesus dizia: Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes (Mt 5:42). A visão estreita do egoísta não lhe permite ir muito além do limitado círculo de seus interesses; ele vive fechado em seu pequeno mundo, cultivando seus projetos mesquinhos. O sofrimento e a necessidade dos outros são de nenhuma importância para ele. O “outro” não existe. Os discípulos de Jesus, todavia, não procuram apenas praticar a generosidade, mas também pregam contra o egoísmo.

3. Mesmo que as pessoas desta geração não nos entendam, continuemos pregando o arrependimento exigido pelo evangelho

Mesmo rejeitados e criticados, João e Jesus pregavam a respeito do arrependimento. Acerca de João, afirma-se: Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus (Mt 3:1-2). Quase o mesmo é dito acerca de Jesus: Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus (Mt 4:17). Precisamos pregar que toda a humanidade, sem exceção, necessita do arrependimento, que envolve uma completa mudança do coração, com relação ao pecado, uma transformação que se demonstra mediante uma santa contrição e humilhação, uma sincera confissão de pecados, diante do trono da graça, e uma quebra total de hábitos pecaminosos, bem como um ódio permanente a todo pecado.

Concluindo

Nunca deveríamos surpreender-nos, se horrorosas acusações são feitas contra os melhores homens e as melhores mulheres, sem causa. É a velha estratégia: Quando os argumentos de um discípulo de Jesus não podem ser respondidos e as suas boas obras não podem ser negadas, o último recurso dessa geração incrédula é tentar denegrir o caráter do crente. Se a nossa conduta e a nossa doutrina não são somente entendidas, mas, também, criticadas, suportemos tudo com paciência. Falsas acusações não impedirão nossa entrada nos céus. Lembremos das palavras de Jesus: Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo ser como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos? (Mt 10:25).

Que Deus nos abençoe!


Fonte:
Genilson Soares de Oliveira


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