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O ser humano é admirável... mas Deus é incomparável!

Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas. (Apocalipse 4:11)

Por Eugene Peterson

Por que Deus é incomparável? Se ele ainda é uma nebulosa para alguns e o ser humano é tão real quanto o Corcovado, por que aquele é maior do que este? Se o ser humano é visível, audível e tangível, e Deus é apenas um possível espírito, por que uma simples sombra pode ter hegemonia sobre aquele que projeta a sombra?

Não é assim que se conjectura. É preciso partir do princípio de que Deus não é uma nebulosa nem uma sombra. Deus é o “Eu sou”, o primeiro e o único, o Eterno, aquele que precede o tempo e o espaço, que não desaparece nem morre. Ele é incomparável por uma simples e clara razão: Deus é o Criador e o ser humano é a criatura. Nada mais complicado precisa ser acrescentado.

Por ter sido criado por Deus, o ser humano é parente chegado dele. Todo o bolo da criação alcança o seu auge quando Deus exclama: “Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança” (Gn 1.26, NBV). Ato contínuo, Deus leva a bom termo o seu intento e cria os seres humanos como afirma a Bíblia: “Criou-os à semelhança de Deus, refletindo a natureza de Deus” (Gn 1.27, AM). Em seguida, o Criador entrega as chaves da perpetuação da espécie e tudo o que antes havia criado nas mãos do primeiro par de seres humanos, um do sexo masculino e o outro do sexo feminino. A partir daí, o homem e a mulher passam a usufruir da beleza da criação e a ser responsáveis por ela em todo tempo. O ser humano, portanto, já começa admirável, já que o Todo-poderoso lhe diz: “Cresçam! Reproduzam-se! Encham a terra! Assumam o comando! Sejam responsáveis pelos peixes do mar e pelos pássaros do ar, por todo ser vivo que se move sobre a terra” (Gn 1.28, AM). Por ter feito o ser humano apenas por um pouco menor do que ele próprio, por tê-lo coroado de grande glória e de honra e por tê-lo encarregado de cuidar das coisas criadas, claro, Deus é incomparável.
Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares. O SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra! (Salmo 8:3-9)
O pavoroso acidente havido logo no início de tudo, ao qual se dá o nome de Queda, apenas complicou, e muito. Porém o ser humano continua com toda a capacidade original, talvez até mais aprimorada em todos os campos, exceto no que diz respeito à espiritualidade e moralidade. E o Criador continua sendo incomparável. Pois, além de dar inteligência, criatividade, competência e tenacidade ao ser humano, é Deus quem generosamente lhe fornece a rica matéria-prima, sem a qual ele ainda se cobriria com folhas de figueira, andaria a pé ou no lombo de um burro, não lavaria as mãos com sabão nem limparia os dentes com escova e dentifrício, não inventaria a roda, não veria televisão nem usaria celular. Ele acharia na crosta terrestre uma riqueza enorme, mas não saberia o que fazer com o minério de ferro, o ouro, a prata, as pedras preciosas, o petróleo e outras riquezas naturais. É o caso de se perguntar: o que faria o ser humano sem matéria-prima e o que seria a matéria-prima sem a inteligência humana?

Deus não pode ser medido: “O nosso Senhor é grande, e tremendo é o seu poder; ninguém é capaz de medir a sua sabedoria” (Sl 147.5) -- nem o seu poder, nem a sua autoridade, nem a sua glória, nem a sua misericórdia, nem o seu amor. Em sua oração na inauguração do templo de Jerusalém, Salomão chega a dizer que “nem o próprio universo é suficiente para conter o seu ser” (1Rs 8.27). Uma pequena história diz que Deus desafiou o diabo a criar o ser humano. O tentador aceitou o desafio, mas na hora de pegar o barro para formar o seu Adão, o Senhor o interrompeu e disse: “O barro é meu”. É tão impossível negar a participação divina nos trunfos humanos como negar a participação de Alexander Fleming na descoberta da penicilina.

Basta visitar a exposição “O fantástico corpo humano” para admitir que o homem é admirável. Consegue estudar os sistemas esquelético e muscular, nervoso e endócrino, cardiovascular, respiratório, digestivo, reprodutor e urinário. Todavia, Deus é incomparável, pois ele é o inventor desse fantástico corpo humano, que tem 206 ossos, mais de seiscentos músculos, 10 mil papilas gustativas, 180 centímetros quadrados de pele, 2 trilhões de células vermelhas para transportar o oxigênio, três bilhões de células brancas para combater as doenças, 5 milhões de pelos, 13 bilhões de células nervosas, 4 milhões de receptores na pele que permitem distinguir o frio e o calor, a dor e o prazer. A cada minuto o coração humano expele mais de dois litros de sangue, que passa ao longo de 96 quilômetros de artérias, veias e vasos capilares (a super-rodovia do sangue, como os cientistas dizem). O computador mais complexo do mundo está na cabeça do ser humano e é composto de um quilo e meio de matéria cinzenta na forma de uma noz sem casca. O cérebro tem 10 bilhões de componentes, que, em funcionamento, estabelecem num dia cem vezes mais ligações do que todos os sistemas telefônicos do mundo. Num tempo de vida médio, o ser vivo respira quinhentos trilhões de vezes. O nariz trabalha com uma paleta de quatrocentos a quinhentos cheiros, que ele identifica e memoriza com facilidade.

Como diz Francis Kaplan, da Universidade de Tours, na França, autor de “O Embrião é um Ser Vivo?”, “uma folha de papel não se torna desenho senão pela intervenção de um fator externo ao papel -- o desenhista”. Assim também, o desenhista do projeto do corpo humano não é o notável, mas o mais notável. Ao rei Davi é atribuído um poema sobre o assunto: “Tu me moldaste por dentro e por fora; tu me formaste no útero da minha mãe. Obrigado, grande Deus [o mais notável] -- é de ficar sem fôlego! Corpo e alma, sou maravilhosamente formado!” (Sl 139.14).


Eugene Peterson, professor emérito de teologia da espiritualidade em Vancouver, no Canadá, declara: “Eu nunca vi Deus. Em um mundo onde quase tudo pode ser pesado, explicado, quantificado, sujeito a análise psicológica e a controle científico, persisto em colocar no centro de minha vida um Deus que nenhum olho jamais viu, nenhum ouvido ouviu e ninguém pode sondar”.

Fonte: Ultimato | Compartilhado no PCamaral

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