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Jesus ora antes da cruz


Finda a longa reunião realizada no Cenáculo em Jerusalém na noite anterior a Festa da Páscoa, após o cântico de um hino. Jesus vai com os discípulos para um lugar chamado Getsêmani, que fica a leste de Jerusalém, no monte das Oliveiras. Ao chegar ali, ele diz com toda franqueza: “Sentem-se aqui enquanto vou ali orar” (Mt 26.36). Acabou não indo só, mas levando consigo três dos mais íntimos apóstolos, Pedro, Tiago e João. A essa altura, Jesus começou a entristecer-se e a angustiar-se e se abriu com eles: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal” (Mt 26.38).

Sem dúvida, esse foi o momento mais difícil de toda a sua vida. Não sabemos se Jesus chorou, como aconteceu antes na casa de Lázaro e à entrada de Jerusalém. Porém, sabemos que naquela enorme prostração, o seu suor se tornou em “gotas de sangue que caíam no chão” (Lc 22.44). Em linguagem médica, o que aconteceu foi uma hematidrose, uma dilatação dos vasos capilares subcutâneos, que fez com que eles se rompessem. William Hendriksen, erudito de convicções reformadas e doutor pela Universidade de Princenton, explica que “quando isso ocorre nas proximidades das glândulas sudoríparas, como quase sempre acontece, o sangue e o suor se misturam na transpiração. Isso pode acontecer em grande parte do corpo. As grossas gotas ou coágulos de sangue, que tingem de vermelho as gotas de suor, escorrem ao chão”.

É difícil mencionar exatamente o que provocou em Jesus essa “tristeza mortal”. Deve-se levar em conta que ele era um ser humano como qualquer outro, mesmo tendo uma natureza divina. Ele tinha plena consciência de tudo o que aconteceria naquele dia, desde o beijo de Judas à debandada dos discípulos e da tríplice negação de Pedro à prisão, às varadas, aos açoites, à irreverência, à zombaria, à fraqueza de Pilatos, ao peso da cruz e à crucificação. Jesus tinha consciência de que sua hora havia chegado e de que ele não poderia oferecer resistência a ela.

É bem provável que lhe tenham vindo à memória os lances de seu sofrimento descritos profeticamente no Salmo 22 e em Isaías 53. Entre outras coisas, nessas duas porções do Antigo Testamento, diz-se que Jesus seria objeto de zombaria, que suas mãos e pés seriam perfurados, suas roupas, sorteadas, que ele seria desprezado e rejeitado, esmagado e castigado, oprimido e afligido, levado para o matadouro e eliminado da terra dos viventes. O mais incrível e o mais dolorido é que ele seria “por Deus [mesmo] atingido e afligido” (Is 53.4), já que havia tomado sobre si as iniquidades humanas.

Pouco depois de se retirar do grupo maior, em um primeiro momento (André, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu e Simão, o zelote, e outros), Jesus se retirou do grupo menor, em um segundo momento (Pedro, Tiago e João), para, em um terceiro, ficar só, um pouco mais adiante. Tinha o hábito de ficar sozinho em certos momentos. Trata-se de uma necessidade pessoal, uma estratégia que lhe era favorável.

Uma vez a sós com Deus, Jesus prostrou-se com o rosto em terra e fez a oração mais submissa de que se tem notícia: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero [na presente circunstância], mas sim como tu queres”. Essa foi a última e a pior de todas as tentações a que Jesus esteve sujeito. A vontade dele sempre foi “tirar o pecado do mundo”. Exatamente para esse momento e para essa missão — de dar a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11) — ele viera (Jo 12.27). A tentação foi vencida por meio da oração. O que aconteceu no Getsêmani evidencia o versículo mais conhecido da Bíblia: “Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

A tentação não foi branda nem de curta duração. Outras duas vezes e no mesmo lugar, a mais ou menos trinta metros do ponto onde estavam os discípulos, Jesus fez a mesma oração. Enquanto isso, um anjo do céu veio ao seu encontro e o fortaleceu com a vitória sobre a tentação. Jesus se recompõe e enfrenta com absoluta firmeza os sofrimentos pelos quais deveria passar daquele momento até a hora da sua morte, mais de dez horas depois.

Publicado originalmente em Revista Ultimato

3 comentários:

  1. A paz pr. Amaral
    Graças a Deus por lhe inspirar para esta tão profunda reflexão. O nosso mestre até mesmo em seus últimos momentos de vida aqui na terra, nos deixou o exemplo de que não adianta reclamar os momentos difíceis que passamos e sim orar a Deus entregando a Ele todo nosso viver. Abraço!

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  2. Ouvimos muitas pregações com o objetivo de nos ensinar como orar para alcançarmos determinada bênção, quando na verdade nessa passagem o Senhor nps ensina que devemos orar não para mudar a Deus pois afinal a Sua vontade é boa, , agradávele perfeita, e sim para nos fortalecer para que venhamos a obedecer integralmente a Sua vontade!

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  3. Ouvimos muitas pregações com o objetivo de nos ensinar como orar para alcançarmos determinada bênção, quando na verdade nessa passagem o Senhor nps ensina que devemos orar não para mudar a Deus pois afinal a Sua vontade é boa, , agradávele perfeita, e sim para nos fortalecer para que venhamos a obedecer integralmente a Sua vontade!

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