Para Deus não existem casos perdidos


Marcos é o autor do segundo evangelho. Provavelmente ele tenha registrado aquilo que Pedro lhe transmitia. Em certa passagem, Pedro o chama de “meu filho”, o que deve ser compreendido espiritualmente (1Pedro 5.13). Ele também se chamava João Marcos e era filho de Maria, em cuja casa se reunia a igreja primitiva e que, entre outros, orava pela libertação de Pedro (Atos 12.12). Provavelmente tenha sido ele o discípulo sobre o qual lemos no evangelho de Marcos: “Então todos o abandonaram e fugiram. Um jovem, vestindo apenas um lençol de linho, estava seguindo Jesus. Quando tentaram prendê-lo, ele fugiu nu, deixando o lençol para trás” (Marcos 14.50-52). Isso parece ser uma autoapresentação.

“Epafras, meu companheiro de prisão por causa de Cristo Jesus, envia saudações, assim como também Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores” (Filemom 23-24)

Barnabé era primo de João Marcos: “... envia saudações, bem como Marcos, primo de Barnabé” (Colossenses 4.10) e ele, provavelmente por isso, acompanhou Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária até Perge: “Tendo terminado sua missão, Barnabé e Saulo voltaram de Jerusalém, levando consigo João, também chamado Marcos” (Atos 12.25). “Chegando em Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como auxiliar” (Atos 13.5).

Por algum motivo, posteriormente em Perge, João Marcos se separou de Paulo e Barnabé, retornando para Jerusalém: “De Pafos, Paulo e seus companheiros navegaram para Perge, na Panfília. João os deixou ali e voltou para Jerusalém” (Atos 13.13).

Barnabé pretendia levar Marcos junto na segunda viagem missionária, mas Paulo não concordou com o plano. Ele não desejava ter consigo um colaborador que pudesse abandonar a obra do Senhor de maneira tão vergonhosa como tinha feito. Em razão disso, houve uma divergência entre Barnabé e Paulo de modo que se separaram, e Barnabé tomou Marcos consigo na viagem para Chipre, enquanto Paulo, acompanhado de Silas, se dirigiu à Síria e Cilícia: “Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: ‘Voltemos para visitar os irmãos em todas as cidades onde pregamos a palavra do Senhor, para ver como estão indo’. Barnabé queria levar João, também chamado Marcos. Mas Paulo não achava prudente levá-lo, pois ele, abandonando-os na Panfília, não permanecera com eles no trabalho. Tiveram um desentendimento tão sério que se separaram. Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre, mas Paulo escolheu Silas e partiu, encomendado pelos irmãos à graça do Senhor. Passou, então, pela Síria e pela Cilícia, fortalecendo as igrejas” (Atos 15.36-41).

É provável que Barnabé, com sua maneira de aconselhar, trouxe Marcos de volta ao serviço, de modo que Paulo posteriormente aceitou-o novamente e reconciliou-se com ele. Assim, Marcos ainda se tornou um colaborador fiel e confiável: “Aristarco, meu companheiro de prisão, envia saudações, bem como Marcos, primo de Barnabé. Vocês receberam instruções a respeito de Marcos, e, se ele for visitá-los, recebam-no” (Colossenses 4.10). Pouco antes de sua morte, Paulo escreveu a respeito de Marcos em 2Timóteo 4.11: “Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério”.

Em suas observações sobre o evangelho de Marcos, o teólogo Hans Bruns escreveu:

Provavelmente Marcos ainda tenha posteriormente proclamado o evangelho de Jesus e conduzido muitas vidas a ele no Egito; parece que a igreja cristã de Alexandria foi fundada por ele, por volta do ano 49. Em Alexandria Marcos teria sido martirizado. A grandiosa catedral ali recebeu o seu nome.

A história de Marcos nos mostra como o Senhor transforma pessoas e novamente as aproveita em sua obra, de maneira que não existem “casos perdidos”. Para isso é importante que haja coerência (Paulo), aconselhamento (Barnabé) e submissão por parte do envolvido (Marcos).

Fonte:
Portal Chamada - Norbert Lieth

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