Vendo com Outros Olhos

Vendo com Outros Olhos

Conta-se a história de um homem que foi procurar um sábio para pedir sua opinião a respeito de aceitar ou não uma oportunidade de emprego em outra cidade. Ao ouvi-lo, o sábio perguntou o que ele sabia a respeito dessa cidade. O homem disse que entendia que as pessoas eram más, a cidade era insegura, o ambiente era insalubre, enfim, uma péssima cidade para viver. 

O sábio prontamente respondeu: “Então você não deve aceitar esse emprego lá!”. Enquanto saía, esse homem viu um companheiro que também havia sido convidado para assumir uma posição na cidade mencionada. Curioso, ouviu o companheiro fazer sua pergunta. Quando o sábio perguntou o que ele tinha ouvido sobre a cidade, este respondeu que tinha ouvido que as pessoas eram gentis, a cidade era segura, o ambiente era saudável, enfim, uma excelente cidade para viver. O sábio então disse: “Você deve aceitar esse emprego lá!”. 

Indignado com essa resposta, o primeiro homem foi interpelar o sábio, perguntando como ele podia dar respostas tão opostas à mesma pergunta. O sábio respondeu: “O problema não está na cidade, mas na sua atitude para com a cidade”.

Esse conto ilustra uma verdade bíblica. 

Com frequência construímos uma imagem de uma situação que ainda vamos enfrentar. Às vezes sofremos imaginando os piores perigos e nossa atitude fica marcada por essa perspectiva. Às vezes podemos ser surpreendidos, mas com frequência nossa opinião e mesmo postura revela nossa (pré) suposição a respeito de uma pessoa ou situação. O apóstolo Paulo foi preso duas vezes em Roma. Na primeira prisão, ele exerceu seu ministério em Roma em sua própria casa, permanentemente acorrentado a um soldado da guarda pretoriana, podendo, no entanto, receber pessoas em sua casa. Após aproximadamente dois anos, ele foi libertado, mas, sob a mesma acusação, foi preso de novo e decapitado anos mais tarde.

Mesmo em situações adversas, nossa atitude e nossa perspectiva podem mudar radicalmente nossa reação e até mesmo nossa alegria.

Sem dúvida era uma situação desagradável, sendo privado de sua liberdade, submetido a um sistema judicial corrupto, sob a liderança de um imperador que logo depois provou ser desequilibrado. No entanto, durante esse período ele escreveu algumas cartas, entre elas Filipenses. O trecho em que ele reflete sobre sua situação demonstra que, mesmo em situações adversas, nossa atitude e nossa perspectiva podem mudar radicalmente nossa reação e até mesmo nossa alegria.




No capítulo 1, versículos 12 a 14, lemos: “Quero que saibam, irmãos, que aquilo que me aconteceu tem, ao contrário, servido para o progresso do evangelho. Como resultado, tornou-se evidente a toda a guarda do palácio e a todos os demais que estou na prisão por causa de Cristo. E os irmãos, em sua maioria, motivados no Senhor pela minha prisão, estão anunciando a palavra com maior determinação e destemor.”

Já no versículo 12, Paulo afirma que sua prisão, ao invés de causar constrangimento, tem motivado a causa do evangelho. Inclusive o fato de passar oito horas acorrentado a um soldado parece que foi vista por Paulo como uma excelente oportunidade de evangelizar alguns dos mais endurecidos soldados romanos. Talvez por seu testemunho, mas certamente por suas palavras, a guarda romana entendia que Paulo estava preso apenas por pregar o evangelho de Cristo, e não por algum crime político. Como um grupo de elite, próximos ao palácio e com vários filhos de famílias importantes em seu meio, não só a guarda pretoriana, mas muitos em Roma começam a comentar sobre isso. E os próprios cristãos aproveitaram essa oportunidade para proclamar com ousadia o evangelho.

Uma perspectiva correta pode nos fazer entender como Deus pode transformar “o mal em bem”.

Curiosa ou tristemente, nem todos os cristãos estavam unânimes em suas posturas. Nos versículos 15 a 18, lemos que alguns pregavam por boa vontade, e outros esperando dificultar a situação de Paulo. Talvez este segundo grupo fosse de mestres que, por algum motivo, queriam que Paulo fosse eliminado. Acredito que eram cristãos, mas queriam Paulo fora do caminho, por isso agitavam as conversas (repare que Paulo não diz que eles estavam distorcendo o evangelho) na repreensível esperança de que isso fizesse os juízes determinarem uma sentença pior. Alguns estudiosos acreditam que eram mestres judaizantes que, apesar de crerem em Cristo, rejeitavam o ministério de graça de Paulo.

As palavras de Paulo diante desse dilema nos mostram mais uma vez como uma perspectiva correta pode nos fazer entender como Deus pode transformar “o mal em bem”. Mesmo sabendo que alguns queriam prejudicá-lo, Paulo se alegra, pois o tema de Cristo está sendo apresentado à cidade de Roma. 

Nos versículos 17 e 18 lemos: “Aqueles pregam Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que me podem causar sofrimento enquanto estou preso. Mas que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro.”

Minha oração é que possamos buscar a Deus, para que ele nos ensine a confiar nele em toda e qualquer circunstância. Oro para que eu e você passemos a olhar desafios como oportunidades para Deus. Minha experiência é que essa mudança de atitude transforme minhas reações e certamente minha felicidade.

Fonte:
Portal Chamada – Daniel Lima

Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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